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BIRD Magazine

A IGUALDADE NA DIFERENÇA

“Temos que aceitar as nossas deficiências para que os outros as aceitem da mesma forma´´
MÁRCIA PINTO 
Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do que uma pessoa sem deficiência. Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades e, por outro lado, poderá ter extrema habilidade para fazer outras coisas. Pessoas com deficiência são iguais na diferença que as caracterizam.
Assim, quando adquirimos alguma deficiência ao longo da vida, principalmente na adolescência, muitas vezes, sofremos da principal barreira para nos adaptarmos e convivermos bem com esta nova situação, o Auto preconceito.
As pessoas com deficiência adquirida não estão livres de um dos sentimentos inerentes ao ser humano: o preconceito.
Desde cedo que projetamos na sociedade a nossa própria visão em relação à deficiência. A nossa dificuldade de aceitar tudo o que é diferente, de evidenciar uma dificuldade, de aceitarmos as pessoas fora do padrão dito normal…
Nós somos educados numa cultura perfeccionista, em que o mundo é protagonizado por super homens e mulheres, muitas vezes demoramos a encontrar o caminho alternativo para fazer as coisas com naturalidade. No caso da cegueira, por exemplo, ler usando braille, pedir ajuda para encontrar algo ou andar com o auxílio do condutor são atitudes que negamos em prol de uma suposta normalidade, de modo a que sejamos mais facilmente aceites pela sociedade e por nós.
Recusamos ajuda, dizemos não ao recurso, dispensamos ferramentas porque as considerarmos símbolos de uma situação de inferioridade, de incapacidade.
Neste sentido, procuramos o padrão para sermos aceites, para nos aceitarmos a nós mesmos. Insistimos em fingir que somos o que não somos.
No entanto, há uma altura, ainda bem, em que nada funciona. Tropeçamos num degrau que fingimos ver, dizemos a coisa certa para a pessoa errada, entramos na porta que estava fechada. Só aí sentimos a dor da mudança, uma dor profunda que nos faz parar para refletir, parar para procurarmos um novo caminho. Faz com que pensemos se somos maiores ou menores do que os símbolos dos quais insistimos em fugir.
Mais cedo ou mais tarde, com menos ou mais dor, nós encontramos o caminho. Percebemos que maior do que qualquer símbolo é a pessoa e suas atitudes; percebemos que não enganávamos ninguém, e aí começamos a assumir a nossa condição e os recursos para que tenhamos plenitude nas nossas ações.
Quem dependia de alguém para ler o texto, passa a usar o Braille; em vez de pedirmos ajuda para irmos até um determinado lugar, andamos com autonomia usando uma bengala; perguntamos onde está em vez de disfarçarmos para procurar. Quando assumimos os recursos damo-nos a oportunidade de sermos capazes.
Deste modo, este processo de aceitação é comum a todos os tipos de deficiências e imperfeições adquiridas ao logo da vida ou às que fazem parte da nossa herança genética.
Em suma, o primeiro passo para a inclusão é incluirmo-nos a nós mesmos, já que a aceitação pelos outros passa, inicialmente, pela nossa autoaceitação.

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