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O QUE LEVA UM JOVEM DE 18 ANOS A TORNAR-SE UM ASSASSINO EM SÉRIE?

JOÃO MARTINS 
Não vamos especular sobre o caso dramático e ao mesmo tempo com pormenores desconhecidos para a população geral que aconteceu na Alemanha na semana passada. 
Podemos apenas enumerar alguns factos/raciocínios lógicos há muito conhecidos pela ciência e que nos podem ajudar a esclarecer sobre o que poderá ter sido causa-efeito na mente de alguém de 18 anos que decide abrir fogo sobre uma multidão. 
Coloquemos desde já de lado as doenças mentais, podendo estar presentes nesta situação, mas das quais não temos informação credível suficiente.
Em primeiro lugar temos a parte social: correm algumas notícias que o jovem era vítima de bulliyng entre os pares. 
O bullying é um fenómeno social (e criminoso) que tem como objectivo a supremacia sobre outro, humilhando-o no seu meio, com o foco na sua diminuição enquanto pessoa. 
Um bullying “bem feito” destrói a auto-estima e a força de vontade de alguém, levando-o em muitos casos ao isolamento, podendo evoluir para tentativas de suicídio, auto-mutilação, etc. 
Em muitos casos também, o bullying é superado pela resiliência – pela revolta da vítima sobre os seus atacantes, ou pela utilização dessa situação para o indivíduo crescer, se melhorar e aperfeiçoar. Esta segunda opção é muito mais difícil de seguir, ainda mais por uma criança ou adolescente que ainda não tem (ou pode não ter) a sua maturidade completamente desenvolvida.
Mas o Bullying pode não ser um factor a considerar nesta história, já que não conhecemos muitos pormenores do indivíduo. 
Normalmente, as extremas recrutam os seus leais seguidores em indivíduos que travam uma relevante luta pessoal e interna. O jovem (pelo que se conta nos jornais) adoptou uma doutrina de extrema direita, tendo como um dos seus ídolos o sr. Anders Breivik, mais um homicida, neste caso norueguês. 
Numa situação em que o indivíduo não se sente integrado e aceite numa sociedade, apesar disto ser em grande parte culpa dele (porque tem a obrigação de se desenvolver resiliente o suficiente para se adaptar) quando o indivíduo não consegue fazer esse exercício, as palavras extremistas “sabem que nem ginjas” num ego que está revoltado e ferido, principalmente com a maneira como a sua sociedade o rejeita.
Podíamos então apontar como principal causa desta adesão os factores sociais e económicos como sendo a receita mais apurada para a “produção” de personalidades deste tipo. 
Mas apesar de poderem (e com certeza o fazem) contribuir para uma maior probabilidade do seu desenvolvimento pessoal desviante, tal não seria correto dizer já que uma gigantesca parte das pessoas com dificuldades económicas e sociais consegue melhorar a sua condição de vida, e também é certo que existem indivíduos que se tornam homicidas provenientes de meios abastados. 
Assim, as personalidades desenvolvem-se acima de tudo pela capacidade da pessoa compreender, se motivar e adaptar, de uma revolta sobre a situação actual, com foco numa melhor condição no futuro. A resiliência é assim uma das maiores armas que podemos desenvolver (e também ensinar aos nossos filhos), já que se não a tivéssemos ainda todos gatinhávamos porque em bebés tivemos que cair milhares de vezes até nos conseguirmos pôr de pé.

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