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TERAPIA OCUPACIONAL – JÁ OUVIU FALAR?

Antes de mais, saudações!
Sendo nova por estas bandas e querendo abarcar já o meu mundo, tento conter-me nas palavras.
“És o quê?”
“Mas afinal o que fazes? Ocupas o tempo aos velhinhos?”
“E isso é um curso?”
GABRIELA CARVALHO
Hoje, com a minha primeira crónica, trago-vos também um dos meus grandes orgulhos: a minha profissão!
Sim, sou Terapeuta Ocupacional, com orgulho e dedicação.
E ao contrário do que recentemente se ouviu afirmar pelo Dr. Quintino Aires, não sou “aquele técnico a quem enviam os meninos por estarem zangados com os Psicólogos” (deixando desde já a ressalva que tenho a sorte de conhecer e trabalhar com excelentes profissionais de psicologia, que em nada se retratam neste senhor).
Falo-vos então da Terapia Ocupacional, uma profissão da área da saúde em constante evolução. Por ser uma profissão recente, ainda é pouco conhecida e reconhecida.
A Terapia Ocupacional só se consolidou formalmente como profissão no início do século XX. Porém, há referências ao longo da História que apontam para a importância da ocupação como processo terapêutico.
No entanto, apenas em 1952 foi criada a Federação Mundial de Terapeutas Ocupacionais (www.wfot.org). E em Portugal, o curso surgiu apenas a 7 de Janeiro de 1957 por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Facto é, que ao longo dos anos, o estudo da ocupação humana e dos seus componentes tem proporcionado à profissão um conhecimento sobre os seus conceitos intrínsecos e constructos que servem de guia à prática.
Em consequência, o papel da Terapia Ocupacional e as suas contribuições para a sociedade estão, também, continuamente a evoluir.
Desta forma, o terapeuta ocupacional é responsável pelo “tratamento de condições de saúde que afectam o desempenho das pessoas em qualquer fase da vida através do envolvimento em actividades significativas, com o objectivo de lhes proporcionar o seu máximo nível de funcionalidade e de independência nas ocupações em que desejam participar.”
O terapeuta ocupacional promove assim a capacidade de “indivíduos, grupos, organizações e da própria comunidade, escolher, organizar e desempenhar, de forma satisfatória, ocupações que estes considerem significativas.”
O termo ocupação, tão controverso por poder ser entendido de múltiplas formas pelos múltiplos indivíduos, tem determinado, por vezes, um conhecimento errado da profissão.
Para os terapeutas ocupacionais, a ocupação é a chave do trabalho, uma vez que se caracteriza por ser tudo aquilo que a pessoa realiza: seja algo tão elementar como alimentar-se ou vestir-se ou tão complexo como desempenhar uma actividade laboral.
Mas é esta ocupação que pode ficar comprometida quando surge uma situação (doença, incapacidade) que interfere com a forma como a pessoa realiza essa mesma ocupação. Aqui intervém o Terapeuta Ocupacional!
Para tal, avalia as funções sensoriais, perceptivas, físicas e sociais do indivíduo, bem como os factores ambientais que influenciam o seu desempenho nas actividades; identifica as áreas de disfunção e envolve o indivíduo num programa estruturado de actividades significativas de forma a ultrapassar as dificuldades proporcionadas pela sua condição de saúde.
Neste sentido, intervém para desenvolver competências, restaurar funções perdidas, prevenir disfunções e/ou compensar funções, através do uso de técnicas e procedimentos específicos e/ou da utilização de produtos de apoio.”
“Ah! Então és tu que usas aquela colher estranha para que a D. Maria possa comer sozinha.”
Por “colher estranha” entenda-se um produto de apoio, especificamente uma colher com cabo dobrado para que a D. Maria possa auto-alimentar-se novamente.
Sim, sou eu que como terapeuta ocupacional trabalho para que a pessoa possa voltar a desempenhar as suas ocupações, recorrendo a uma panóplia de estratégias.
Pelo desafio diário a que obriga, a Terapia Ocupacional tornou-se para mim numa profissão aliciante que me dá satisfação e prazer.
“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional acrescenta vida aos anos.”
Bibliografia:

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