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À PROCURA DO PARAÍSO NATURAL DO GERÊS

CARLA AFONSO
Uma visita ao único Parque Nacional do país pode servir para encher os pulmões de ar fresco e os olhos de verde. E também pode revelar-nos a dimensão onírica da natureza, oferecendo-nos lugares que emanam encanto e mistério. Quando quase todo o país anda a banhos na praia, nós andámos por aqui…Uma curta viagem à Peneda-Gerês.
Sem dúvida um dos sítios e lugares mais bonitos do nosso País, o Gerês fica para sempre no coração de quem o visita e a promessa de voltar fica sempre no ar, uma vez que não vai ser nada difícil cumpri-la.
Verde e cinzento são as cores do Gerês. E há cinco sítios mágicos, entre muitos outros, que vivem dessas cores: o Castelo de Castro Laboreiro, a Mata de Albergaria, perto das Caldas do Gerês, e o Mosteiro de Sta. Maria das Júnias, na aldeia de Pitões das Júnias, Cascatas e lagoas do Tahiti e Cascatas do Rio Homem. Cinco lugares encantadores e encantados, onde podemos deixar sonhos e imaginação, completar a beleza da paisagem.
Figura 1– Vista panorâmica do Castelo de Castro Laboreiro.
O castelo de Castro Laboreiro é um magnífico exemplo do aproveitamento humano de uma enorme fraga, numa boa posição defensiva e com um panorama de uma força extraordinária: de um lado levantam-se, em sequência, três montes, e os telhados das aldeias aparecem transformados num pontilhado minúsculo; do outro, uma verdadeira muralha natural, feita de esteios de granito esculpidos numa amálgama inexpugnável, fecha o horizonte.
O que foi feito pelo homem e pela natureza confunde-se na perfeição: as ameias são penedos e a entrada deles feitos e nela talhada, com encaixes cimentados pelo tempo. A rudeza do enquadramento reaviva imagens de batalhas, a dureza do granito cinzento e seco relega o verde dos lameiros e campos de milho para os campos à volta da aldeia, bem lá no fundo.
Figura 2– Muralhas do Castelo de Castro Laboreiro.
Na Mata de Albergaria, a paisagem é menos agreste e a rudeza das fragas está vestida por um bosque de beleza excecional. As árvores, uma amálgama de espécies mediterrânicas e outras mais próprias do Norte da Europa, levantam-se de um chão musgoso, de um verde húmido, ou de um colchão de fetos gigantescos. É uma floresta encantada, por onde os raios de sol entram filtrados por folhas de um verde transparente, ou nem sequer entram…Morada de duendes, sem dúvida, lugar de fadas com banda sonora de água e pássaros. Em certos lugares, o rio Homem cavou piscinas arredondadas, poços profundos onde também a água é verde ou azul, conforme a luz. Libélulas azuis e sapos castanhos são visitantes de Verão, neste lugar onde os humanos só penetram a pé.
Figura 3 – Os Garranos Selvagens.
O mosteiro de Santa Maria das Júnias só se revela a quem o procura. Entretido com a estrada, com a aldeia, o passante terá de dirigir-se a um lugar com o promissor nome de Anjo, de onde se desfruta um belo panorama. À direita passa uma levada e à esquerda descemos para uma primeira visão, de cima para baixo, sobre o telhado e a mimosa entrada da igreja românica, único edifício completo deste mosteiro da Ordem de Cister abandonado no século XIX. O conjunto possui a dose exata de ruína e edifício intacto. Animais de pedra decoram uma parede lateral, sobras de um claustro levantam-se do lado oposto.
Ermitério místico escondido numa prega dos montes, lugar propício ao exercício de qualquer espiritualidade, este é, também, um lugar de rara beleza, onde a pedra se converteu em fé.
Figura 4: Mosteiro de Sta. Maria das Júnias, na aldeia de Pitões das Júnias
Cascatas e lagoas do Tahiti e Cascatas do Rio Homem, apesar do acesso ser complicado são sem dúvida um fenómeno raro de beleza e pureza que a natureza nos proporciona.
Figura 5: Local da Ermida
Partindo da Vila do Gerês, siga em direção à Barragem da Caniçada. Poucos metros à frente encontrará um entroncamento à esquerda com a indicação “ERMIDA”. Vire nessa direção e siga por essa estrada que tem tanto de apertado como de belas paisagens. Após andar aproximadamente 5 a 6 km, vai encontrar um entroncamento à sua direita com uma placa a indicar “Cabril”. Vire à direita e siga por essa estrada, mas com cuidado, pois enfrentará algumas descidas acentuadas até chegar a uma ponte sobre o Rio Arado. Junto a ela tem indicação do PNPG. Estacione a viatura e prepare-se para uma pequena descida a pé. Opte primeiro por descer pelo lado direito da ponte e encontrará uns moinhos abandonados e algumas pequenas quedas de água que formam belas lagoas onde pode se refrescar.
Figura 6: Lagoa do Tahiti
Aventure-se a descobrir, estas cascatas, caso não possua uma viatura todo o terreno, o ideal será fazer os últimos 12 km (ida e volta) do trajeto a pé, não será tarefa fácil, mas no final verá que valeu a pena.
Aventure-se por um pequeno trilho do lado direito do rio, até encontrarem as belíssimas e secretas lagoas do Gerês, um lugar selvagem e possivelmente inatingível à maioria das pessoas. De água selvagem límpida e pura, as lagoas estão situadas ao longo do curso do rio que atravessa Cabril (nasce na serra), em local de difícil acesso, devido a estar situada já em considerada altitude na Serra do Gerês.
Para quem decidir arriscar, é possível chegar próximo das lagoas de carro. No entanto, é melhor contar com muita pedra pelo caminho, buracos e caminho onde não passam 2 carros.
As Cascatas do Tahiti têm tanto de belas como de perigosas por isso leve roupa e calçado apropriado a descidas e caminhadas, a descida é acentuada e é necessário bastante precaução.
Onde Ficar
O Gerês é uma vila termal, pelo que não faltam lugares para comer e dormir. Por exemplo, o Parque de Campismo ou a Pensão Adelaide, nas Caldas do Gerês. Especialmente interessantes para grupos são as casas-abrigo como a do Barreiro e do Bico do Pássaro – a primeira em Castro Laboreiro e a última junto ao Parque de Campismo de Lamas de Mouro e do Centro de Interpretação do Parque Nacional. Também em Pitões e em muitos outros pontos do Parque. A mais luxuosa é a Quinta da Caniçada.
Onde Comer
Há alguns cafés e pequenos restaurantes, incluindo o do Hotel Águas do Gerês e o da Quinta da Caniçada. Em Brufe, a 12 quilómetros de Terras de Bouro, um dos restaurantes mais bonitos e bons da região, O Abocanhado, restaurante premiado pela arquitetura, que oferece especialidades regionais. Reservem com antecedência, porque a vista é muito cobiçada, sobretudo para um pôr de sol.
Figura 7 – Vista panorâmica do Restaurante “O Abocanhado”.

Em Covide, fica o restaurante rústico O Cantinho do Antigamente. Também há supermercados onde encontra tudo o que necessita para preparar um bom piquenique. Para quem gosta de chá e de mel, estes são dois dos produtos mais justamente famosos da zona, à venda em muitas lojas e produtores locais. 

Perca-se e vá conhecer o Gerês. Desfrute de um misto de natureza e tradição. Desde as cascatas impressionantes, aos garranos selvagens, o Gerês apaixona.

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