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CALOURA: O PARAÍSO NO “FIM DO MUNDO”

CARLA LIMA
Na minha primeira crónica falei sobre a minha infância no campo. Hoje, decidi falar sobre esse local. O meu sítio preferido de todo o mundo: A Caloura.
A Caloura é uma fajã pertencente à Vila de Água de Pau, Concelho da Lagoa, na Ilha de S. Miguel nos Açores.
A Caloura é conhecida por ser uma zona maioritariamente balnear e pelo seu micro-clima. Pode estar a chover na ilha toda mas na Caloura está (quase) sempre sol e calorzinho.
A Caloura só tem uma praia. A praia da Baixa D’Áreia. Uma praia resguardada. Tão resguardada que para lá chegar tem um lanço de escadas interminável. Mas depois a calma e a vista compensam. Mar e horizonte a perder de vista.
Existem outras piscinas naturais mas são de difícil acesso.
CALOURA
DR GOOGLE IMAGE
A zona balnear principal é o Porto da Caloura. Tem uma pequena piscina escavada no meio de um promontório que entra pelo mar dentro. São sobretudo as ondas que quando saltam enchem a piscina, mas para quem quiser águas menos paradas há duas escadinhas cheias de limos com acesso directo ao mar azul e profundo.

Um dos aspectos positivos do Porto da Caloura é a vista privilegiada para a encosta, para o porto de pesca onde podemos ver a entrada e saída dos barcos, e para o Convento da Caloura. Aproveito para dizer que o Convento da Caloura foi o primeiro local a receber a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, oferecida pelo Papa Paulo III. Mas devido à sua localização proxima do mar e aos ataques dos piratas, teve de ser deslocada para o Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada, onde se encontra até hoje.

O outro aspecto positivivo do Porto da Caloura é o Bar da Caloura, onde é possível comer do melhor peixe numa esplanada com uma excelente vista para o mar.
Para alojamento há o Hotel da Caloura e vários turismos rurais e de habitação.
Para quem estiver interessado numa vertente mais cultural também existe o Centro Cultural da Caloura do pintor açoriano Tomaz Borba Vieira.
No mês de Agosto, para quem gosta de festa, existem alguns eventos como o Festival de Música da Baixa D’Áreia, a Festa do Emigrante e a Corrida Mais Louca do Mundo.
Depois de ter feito o postal de visita vou ser mais pessoal.
Quando estou a descer para a Caloura o que vejo são casinhas dispersas, como num presépio, no meio de uma mescla de um verde intenso com preto basalto. E ao longe o mar, azul forte se estiver calmo ou branco cal se estiver mexido.
Os sons são únicos. Se estivermos perto do mar, o som das ondas a bater nas rochas é calmante. O chilrrear dos passarinhos pela manhã e o “cantar” dos cagarros à noite.
Na Caloura o céu está mais perto. À noite um mar de estrelas que parece desabar e nas noites de lua cheia, o misticismo do reflexo da lua no mar.
São estas pequenas grandes coisas que tornam a Caloura única e não as coisas óbvias.
– “Carla, porque é que estás sempre fechada naquele “fim de mundo””? – perguntam-me algumas pessoas em tom pejurativo.
Nunca respondo, mas apetece-me dizer-lhes. Porque foi nesse “fim de mundo” que, em criança, disse a minha primeira palavra. Porque foi nesse “fim de mundo” que, em adolescente, dei o meu primeiro beijo. Porque foi nesse “fim de mundo” que, em adulta, curei muitas feridas e aprendi a dar valor ao “som do silêncio”. E é nesse paraíso no “fim do mundo” onde me sinto mais feliz e livre.
Quem tiver a oportunidade de vir a S. Miguel venha visitar a Caloura e perder-se neste misto de emoções que só um verdadeiro paraíso oferece.
“Os verdadeiros paraísos são os paraísos que se perderam.”
Marcel Proust

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