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JOGO, O ESPELHO DO TREINO

ANDRÉ QUEIRÓS
Como disse um dia Charlie Chaplin: “O espelho é o meu melhor amigo, quando eu choro, ele nunca se ri!”, e esta frase pode facilmente ser aplicada a uma equipa de futebol e ao seu processo de treino. Muitas vezes assistimos a jogos de futebol na televisão e reparámos no treinador de uma equipa zangado, por vezes completamente revoltado com um ou mais dos seus jogadores por alguma ação que eles tenham feito que não tenha sido do seu agrado. Ações como estas são normalmente denominadas por “excesso de comunicação”, sendo muitas vezes uma “descarga emocional” em vez de uma intervenção pedagógica que visa a melhoria da performance do atleta no jogo.
Quando isto acontece com muita frequência durante um jogo, ou vários jogos, o treinador deve fazer uma auto análise e perceber se contemplou no processo de treino aquele ou aqueles comportamentos que queria que os seus jogadores tivessem naquele momento. Algumas vezes assistimos a situações em que o treinador culpa os seus jogadores por falharem oportunidades de golo isolados por exemplo (como se fosse fácil!!) mas quantas vezes durante o processo de treino eles foram sujeitos a situações de finalização 1×1 ou 1×0 para melhorarem aquela ação, naquele contexto específico? Tenho observado que quanto maior é a experiência dos treinadores (aqueles que são alvo do meu estudo e atenção) menor é a ocorrência destes comportamentos visto que eles conseguem antecipar com maior facilidade aquilo que se vai passar no jogo e assim operacionalizar o treino de uma forma muito mais similar ao que o jogo lhes vai proporcionar.
Na projeção da semana de trabalho o treinador deve ter em conta um punhado de conteúdos que vai priorizar durante aquele período, porquê? Porque ele é capaz de antever que esses conteúdos vão ser fator chave para que os seus jogadores consigam ter sucesso naquele determinado jogo. Conteúdos esses que vão ser novos para a equipa? De maneira nenhuma! Eles fazem parte daquilo que é a “ideia de jogo” implementada e devem ser alvo de especial atenção pois vão acontecer com maior frequência e a equipa tem que estar preparada para lhes fazer face. 
No entanto, para que tudo o que foi atrás mencionado aconteça será muito importante que a equipa técnica durante o planeamento da semana de trabalho respeite o Princípio das Propensões, que consiste na criação de exercícios de treino que contemplem um grande número de vezes o que queremos que os nossos jogadores vivenciem e adquiram a todos os níveis. Graças a este princípio será conseguida a repetição sistemática de diversas interacções específicas do nosso jogar, tanto Tácticas, como Técnicas, Físicas e Psicológicas, criando o contexto (exercício) que vai proporcionar o aparecimento de determinados comportamentos, e não o contrário!

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