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QUAL O SENTIDO DA VIDA?

DANIELA FONSECA
O que é viver? O que é ser feliz? Recebi, durante a semana, a notícia de algumas pessoas queridas a quem a morte levou de nós. Próximas o suficiente, tentei recordá-las por aquilo que, delas, me deram: o tempo que me ofereceram, o sorriso que me entregaram, as palavras que me confiaram.
A minha tia Zezinha morreu. Era uma pessoa boa, tinha filhos da minha idade. E naquela orfandade cortante dos meus primos temi profundamente a minha, sem me aperceber que poderia/ei ser eu a deixar alguém. O egoísmo tem destas coisas. E o medo da morte também.
O tema não é agradável. Ninguém merece morrer. E a minha tia Zezinha era tão boa, tão simples, tão singela, nos seus lindos olhos azuis esverdeados, ou verde azulados, nem sei. Ouço-lhe somente a voz: e sorrio.
Depois, uns dias mais tarde, hoje precisamente, recebo o choque da morte de um aluno mais velho, de quem sempre gostei, e com quem sempre fui falando de projetos ao longo do tempo.
Era uma pessoa surpreendente, cheia de vida e com a qual pude trocar algumas ideias de trabalho: teórico, da minha parte, prático, da parte dele. E só passados dois meses é que tive a infeliz notícia do seu desaparecimento. Somos demasiado novos para morrer. Ninguém merece morrer.
Ainda há pouco falava com uma amiga minha sobre o falecimento de uma amiga dela na flor da idade, deixando para trás um filho de 17 anos e seguramente muitos sonhos por concluir. 

Não é uma semana fácil, é um facto. 
E a vida o que é?! Uns breves instantes da morte? O que é viver? O que é ser feliz? — É o aqui e o agora? É o agarrar, com todas as forças, os bons momentos da vida? (que contrassenso de termos). É o “ficar mais um pouco”, quando tanto nos pedem para “beber mais um copo”? É o correr para os “teus braços, querido pai, querida mãe”, só “porque hoje me deu saudades?” É o “vou já ter contigo” que a sobrinha perguntou no “quando é que vens?”
Adiamo-nos tanto e, no essencial, queremos todos o mesmo: “ser feliz”.
Pensei muito em não escrever esta crónica-desabafo, até porque não traz nada de novo, e porque segue abaixo de uma foto minha de sorriso nos lábios (o que por si só é ultrajante), mas a lembrança das pessoas boas que nos deixaram merecia que lhes dissesse algo, de sorriso em punho, e com todas as letras, ainda que de forma banal ou fugaz: “gosto muito de vós!”
Fugi, por diversas vezes, ao tema, por achar que é demasiado íntimo e arriscado para ser aqui incluído. Pensei noutros assuntos e procurei deitar fora este texto; mas, no final, houve sempre a necessidade de o deixar publicar. Não sei bem porquê. Perdoem-me, por isso, todos aqueles a quem este escrito possa parecer superficial ou demasiado irrelevante. Eu quero somente o que todos querem: ser feliz e viver. 
“Todos vamos morrer um dia”, mas, como diz o Snoopy ao Charlie Brown, em “todos os outros dias, não”.

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