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O FABULOSO BURKINI

LUÍS ARAÚJO
Estava eu há uns dias atrás a tomar o pequeno almoço numa “patisserie” em pleno quartier latin, saboreando delicioso croque monsieur quando me apercebo que numa mesa próxima da minha se encontrava um casal árabe – facilmente identificável porque a mulher estava a envergar um sensual lençol num excitante tom de cinzento – em animada conversa com um outro individuo, também árabe, que se encontrava na mesa ao lado, numa língua que desconheço, mas que definitivamente tinha demasiados “erres”.
Ora, se não fosse o monstruoso tempo que a minha acompanhante – uma americana Yankee que conheci no dia anterior nos jardins de Versailles, dotada de uma flexibilidade que faria uma bailarina de can-can corar de vergonha – demorou a escolher o pequeno almoço, não me teria apercebido de um pequeno detalhe absolutamente notável e que me fez ponderar seriamente converter-me ao Islão.
Em cerca de hora e meia que demorou esse “petit dejeunner”, a mulher com o sensual lençol não abriu a boca uma única vez, nem que fosse para bocejar.
Se isto não é uma excelente religião não sei qual é. Qualquer homem minimamente informado sabe que é mais fácil trepar a torre Eiffel em cuecas do que calar uma mulher do seu fluente discurso, de forma quase sempre incessante e muitas das vezes desesperante.
Nessa hora e meia fiquei a saber a vida da minha amiga no Upper East Side com detalhes que nem as televisões de Alta Definição conseguem captar, o árabe não ficou a saber se a senhora do lençol tinha os dentes todos da frente, sofria de mau hálito ou gaguejava nas palavras compostas.
A simples visão de uma mulher queda e muda fintando um horizonte imaginário durante cerca de hora e meia pulula no imaginário de qualquer homem, e presenciar a materialização de tal sonho foi um momento inolvidável que me abriu todo um novo universo acerca do Islão.
Começo a ficar fã desta religião, das burkas, niqabs, burkinis e outros lençóis que tal, especialmente porque o posso fazer de consciência livre, são as próprias mulheres quem acerrimamente defende esta florescente industria têxtil.
Precisamente por causa do burkini, nos últimos tempos tenho lido vários artigos subscritos por mulheres das mais diversas áreas, defendendo de forma acalorada o “direito de escolha” das mulheres andarem de burkini.
Ver uma mulher a clamar contra a proibição do burkini, provoca-me a mesma urticaria que ver um africano a lutar pelos direitos de livre expressão do Klu Klux Klan, curiosamente outra organização com ligação muito próxima à industria têxtil-lar, pois também são fanaticos de lençóis.
Ora, o direito de escolha, como toda a gente sabe é uma balela, ninguém que algum dia possa escolher vai optar por ir para a praia a vestir uma porcaria que faz um fato de astronauta parecer agradável e de grande conforto, o que essas megeras queriam era que toda a mulatinha de bunda arrebitada utilizasse um burkini, para poderem ir descansadas para o areal sem que o marido/namorado/companheiro/amante ocasional possa estabelecer comparações embaraçosas
Como tive uma educação um bocado retrograda – o meu pai era carroceiro e a minha mãe peixeira no bolhão, sempre achei que estas manifestações basicas de opressao como o burkini deveriam ser restritas aos países atrasados do terceiro mundo de onde são originários.
Por outro lado a minha alta sensibilidade faz com que tenha um arrepio de frio sempre que vejo certas mulheres em bikini na praia. O bikini deveria ser restrito a quem possuísse um corpão assim do tipo da Jéssica Athayde.
Como um breve passeio por um qualquer areal demonstra há muito mais coirões na praia do que corpões como o da Jéssica, o burkini começa a não parecer muito ma ideia.

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