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O USO DA ELETROTERAPIA

LIANE SANTOS
A Eletroterapia ou electricidade médica como já foi designada consiste no uso de correntes eléctricas para o tratamento de utentes. Ou seja, uso da corrente eléctrica como forma de tratamento.
Objectivos do uso da electroterapia
A eletroterapia assume um papel de relevância na reeducação muscular e articular, no tratamento de dor, na melhoria da vascularização e na troficidade dos tecidos.
Noções básicas de electricidade
Corrente eléctrica: é o movimento de partículas com carga, através de um condutor em resposta à aplicação de um campo eléctrico (diferença de potencial).
Diferença de potencial – A diferença de potencial, tensão eléctrica ou voltagem é a força impulsora que induz electrões a deslocarem-se de uma zona de excesso para outra em falta ou deficit.
Campo eléctrico: cada carga eléctrica cria um campo eléctrico em seu redor. As características do campo eléctrico criado entre duas cargas contrárias são diferentes daquele criado entre duas cargas iguais. Assim duas cargas iguais repelem-se e duas cargas diferentes atraem-se.
O campo eléctrico é o campo de força provocado pela acção de cargas eléctricas, (electrões, protões ou iões) ou por um sistema delas. Cargas eléctricas num campo eléctrico estão sujeitas e provocam forças eléctricas.
Intensidade de corrente eléctrica: É o fluxo de electrões que atravessa um condutor num espaço de tempo. A unidade da intensidade é ampere (A). Nos equipamentos de electroterapia, a intensidade usada deverá ser muito baixa (miliamperagem ou microamperagem, mA).
Bons condutores são substâncias que permitem que as cargas eléctricas se desloquem livremente quando lhes é aplicado uma diferença de potencial (metais, soluções electrolíticas). No corpo humano temos os músculos, vasos e nervos
Maus condutores são substâncias que não permitem o deslocamento de partículas com carga num campo eléctrico (plástico, borracha). No corpo humano temos os ossos, pele e tecido adiposo.
Sentido da corrente – Os electrões (cargas negativas) deslocam-se do ponto de maior potencial para o menor potencial.
Efeitos da corrente eléctrica
Efeito térmico: é comprovado quando o condutor percorrido pela corrente eléctrica sofre um aquecimento. A corrente eletrica impede a secreção de noradrenalina produzindo vasodilatação passiva, sendo que esta é produzida pela histamina.
o Efeito luminoso: por vezes o efeito térmico pode ser uma consequência da presença do efeito luminoso.
o Efeito fisiológico: atua no sistema muscular e nervoso, provocando contracção muscular (corrente de baixa frequência) ou aquecimento (corrente de alta frequência).
Efeito químico: a corrente pode alterar a composição química de algumas substâncias, por exemplo, com objectivo cicatrizante, já que a corrente eléctrica favorece o reparo tecidular ao estimular directamente as células a produzirem mais ATP, aumentando a síntese proteica, revitalizando a área lesionada.
o Efeito analgésico: a corrente ativa /produz substancias endógenas como as endorfinas

Classificação das correntes eléctricas dá-se pelos seguintes parâmetros
o A forma do impulso
§ Corrente constante – Não existe variação da intensidade previamente marcada e não existe alteração da diferença de potencial. Os electrões possuem a mesma direcção. Estas correntes são afrequentes.
§ Corrente variável – Existe variação da intensidade e da diferença de potencial durante o tempo de acção. Os electrões trocam de direcção periodicamente. Estas correntes variam a sua frequência segundo o tipo de corrente
o A polaridade
§ Unidireccionais (positivas ou negativas)
· Produzem aumento da permeabilidade da membrana celular além do fenómeno da electrólise, em que os iões são atraídos pelo polo oposto da sua carga
§ Alternadas (variam entre os valores positivos e negativos)
o A frequência (corresponde ao seu ciclo que é repetido durante um segundo do tempo)
§ Baixa frequência <1000 Hz
· Corrente Galvânica, Farádica, Diadinâmicas, TENS
§ Média frequência >1000 Hz e <100.000 Hz
· Interferencial e Corrente Russa.
§ Alta frequência >100.000 Hz
· Ondas Curtas, Microondas, Ultra-som (Ultra-som Terapêutico).
o Formas de ondas:
§ Rectilínea, Quadrática, Exponencial, Senoidal, etc.
Tipos de corrente:
Correntes contínuas
A intensidade inicialmente seleccionada mantém-se constante até ao fim do tratamento.
§ Principal efeito é analgésico

Correntes Variáveis
As correntes variáveis são aquelas que, ao contrário das contínuas, conseguem variar a sua intensidade em função do tempo.

Efeitos Fisiológicos
§ Efeito analgésico
Correntes Diadinâmicas
Correntes de Trabert
TENS
Efeito excitomotor
Correntes farádicas
Correntes exponenciais
Correntes de Kotz
Correntes Excitomotoras
Provocam contracção muscular (efeito excitomotor)
Despolarização da membrana muscular ou do nervo, onde a existência de um potencial de acção dá origem a uma contracção muscular
Objectivos da Estimulação
Promover um aumento da força em atrofias musculares por desuso, ou potenciar a força muscular no treino desportivo.
Alteração das resistências vasculares periféricas, devido à melhoria circulatória promovida pela contracção muscular.
Reduzir o tempo de recuperação após uma lesão (diminuição dos factores de atrofia por imobilização)
Aumentar a estabilidade articular
Melhoria do movimento activo e da amplitude do movimento
Reeducação e facilitação neuromuscular
Tipos de eléctrodos:
Todos os eléctrodos que podem ser utilizados em electroterapia podem ser ligados ao aparelho usando cabos isolados, ou cabos isolados com pinças. Podem ser decarbono, metálicos e de gel (são auto-adesivos e os mais práticos e fiáveis pois são de contacto directo, simples, rápido e higiénico. 

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