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OS RISCOS DO TREINO MILITAR

ARMANDO FERREIRA DE SOUSA – DT
Confesso que por diversas vezes pensei e repensei a pertinência da presente crónica, tanto mais que versa sobre um assunto tão delicado como a morte de um soldado Português, durante um treino militar.
Com efeito durante esta semana tivemos a notícia da morte de um soldado durante um treino incluído curso de Comandos. 
Curiosamente e sem explicação aparente assistiu-se a um apontar de dedos acusadores ao Exército em geral e ás tropas Comando em particular, como se fosse desejo de alguém que aquela tragédia tivesse acontecido.
E as pessoas que atiram tais críticas só o fazem porque não conhecem a camaradagem ímpar que a instituição militar incute nos seus elementos e que, não raras vezes, perdura até ao final das suas vidas.
O treino militar comporta sempre riscos, físicos e psicológicos, decorrentes da pressão física e psicológica incutida e do manuseamento de armas e explosivos. Trata-se pois de uma atividade perigosa, porque a guerra é de facto uma atividade perigosa!
Sem embargo, todo o treino é obviamente orientado no sentido de serem minimizados os riscos, nomeadamente através do conhecimento do material manuseado, do conhecimento dos sinais de desgaste físico e psicológico e do estabelecimento de estritas regras e limites de segurança, isto porque durante uma missão, um militar debilitado ou com equipamento defeituoso pode colocar em risco todo o objetivo. 
Cuidar de si, do seu equipamento e do seu camarada trata-se pois de um imperativo operacional.
Contudo não podemos nunca olvidar que o orgulho de ser militar e de ultrapassar mais um obstáculo como o duro curso de Comandos, pode levar alguém a ignorar os tais sinais de alerta e a querer ultrapassar os limites humanamente possíveis.
E tal sucede não apenas nos diversos cursos militares, mas também, por exemplo, no desporto, que leva muitos atletas a sucumbir perante o esforço efetuado, muitas das vezes não para ganhar uma qualquer corrida, mas simplesmente para a terminar.
Num mundo em que os valores vão escasseando e os jovens parecem perdidos quanto ao seu futuro, convém não esquecer o exemplo deste militar que faleceu mercê da sua resistência na busca do sonho de ser Comando!
Investigue-se e adotem-se medidas para que tal nunca mais aconteça.
“Tal há de ser quem quer, com o dom de Marte,
Imitar os ilustres e igualá-los:
Voar com o pensamento a toda parte,
Adivinhar perigos, e evitá-los:
Com militar engenho e subtil arte
Entender os inimigos, e enganá-los;
Crer tudo, enfim, que nunca louvarei
O Capitão que diga: “Não cuidei”.
(Luís Vaz de Camões in Os Lusíadas)

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