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HABITUAR-SE À INFELICIDADE

GABRIEL VILAS BOAS
O pior da infelicidade é quando ela se torna um hábito e a aceitamos como uma inevitabilidade.
O estado de desistência é tal que já nem sabemos exatamente aquilo que nos faz infelizes. No entanto, a infelicidade (que outrora foi apenas insatisfação) tem razões objetivas. Muitas vezes, deixamos enraizar em nós hábitos altamente nocivos que nos tornam infelizes compulsivos.
Um hábito típico das pessoas infelizes é acharem-se constantemente vítimas da vida. A vida é dura às vezes, mas não sempre. Há momentos de sorte para todos, mas os “agarrados à infelicidade” tendem a desvalorizar esses momentos ou nem a contabilizá-los. A diferença é que uns focam-se na resolução dos problemas, outros comprazem-se numa atitude de comiseração.
Outra atitude típica do infeliz é pensar que a maioria das pessoas não é confiável. A confiança constrói relações felizes, a desconfiança fecha a porta à descoberta de novos amigos. Os estranhos são novas oportunidades de amigos e não potenciais adversários, mas nem todos vêem a coisa segunda esta perspectiva…
Quem se acostuma com a infelicidade tem ainda outro desagradável pensamento: tudo no mundo está errado e mal feito, ou seja, tem sempre um discurso muito negativo face à realidade. 
Desgraçadamente, este hábito atrai outro: considerar sempre o futuro com preocupação e medo. Na voz do infeliz militante o mundo está sempre para acabar e caminhamos inexoravelmente para o precipício moral, económico, social. Apesar de o mundo acabar amanhã, eles optam por ser infelizes hoje…
Talvez esta permanente perspetiva negativa nasça de um hábito que algumas pessoas cultivam e que as torna, na maioria das vezes, infelizes: a necessidade de controlarem tudo. Ninguém controla tudo, isso é impossível. Desenvolver essa crença só pode ter como resultado o fracasso e a infelicidade. 
Sem se darem conta, as pessoas infelizes estão constantemente a comparem-se. É o vizinho que teve mais sorte, é a amiga que tem isto e aquilo que ela não tem, etc. Ora isto leva à inveja e ao ressentimento. A amargura vem logo a seguir…

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