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EUROPA, UM PROBLEMA CHAMADO ALEMANHA

MIGUEL TEIXEIRA
No passado dia 6 de Setembro, o Jornal de Negócios noticiou que a Alemanha deverá registar em 2016 um novo recorde, com o seu excedente externo a ultrapassar a China e a atingir os 278 mil milhões de euros. Segundo o Instituto alemão IFO, a Alemanha passa a registar o maior excedente externo do mundo. Este excedente externo é baseado sobretudo no comércio de mercadorias, com as exportações alemãs a superarem as importações em 159 mil milhões de dólares no primeiro semestre do ano, principalmente devido a uma forte procura por parte de países europeus.
De acordo com o IFO, o exequente alemão equivale a 8,9% do PIB germânico, o que significa que mais uma vez, deverão ser ultrapassados este ano os limites de 6% impostos por Bruxelas. Bruxelas e Washington, através de Christine Lagarde, directora-geral do FMI e do secretário de estado do Tesouro norte americano, têm feito apelos a Berlim no sentido de aumentar o consumo interno e as importações, por forma a ajudar a diminuir os desequilíbrios económicos, incluindo dentro da Zona Euro.
O “cancro” responsável pelo crescimento anémico da Europa (entre outras situações) está aqui. A Alemanha tem um excedente comercial externo de 278 mil milhões de euros, com as exportações a suplantar as importações em 8,9 por cento do PIB , quando o limite imposto por Bruxelas é apenas de 6 por cento. Aqui, apesar de violar as metas, não há lugar a sanções por parte da “ortodoxia de Bruxelas”, por ser a Alemanha. Quer os Estados Unidos quer o FMI já vieram pedir à Alemanha para implementar medidas que conduzam ao aumento das importações, do crescimento e da procura interna, como forma de ajudar ao crescimento da economia europeia e mundial, reduzindo os desequilíbrios económicos. A Alemanha que tem um excedente comercial elevado, principalmente para países europeus, os principais clientes, já veio rejeitar liminarmente a implementação de quaisquer medidas de estímulo económico, por forma a reduzir o elevado excedente. Esta atitude da Alemanha em apostar permanentemente em políticas conservadoras, restritivas, que não potenciam o crescimento económico é terrível para a zona euro, tratando-se da sua maior economia, prejudicando principalmente o crescimento dos países da periferia e do Sul como Portugal. Os países do sul da Europa, Itália, França, Grécia, Malta , Portugal, Chipre e Espanha, já perceberam que esta estratégia alemã de implementar e impor pela via económica uma “Europa de inspiração germânica”, só pode conduzir a políticas que aprofundarão a recessão, o desemprego e a subida galopante da dívida pública. É uma espécie de “tática do eucalipto” que seca tudo em volta. Não deixa de ser curioso que a resposta de Wolfgang Schauble, o circunspecto e sinistro Ministro alemão das finanças a uma reunião dos países do sul da Europa na semana passada em Atenas, para preparar o Conselho Europeu de Bratislava tenha sido afirmar do alto da sua arrogância que “quando líderes de partidos socialistas se encontram, não sai, na maioria das vezes, nada de muito inteligente”. A postura do “eu é que sei”, “a bouça é minha”, “não há outro caminho”. Na verdade, quando as opções de política económica da Alemanha “calcam os pés” aos povos do Sul, é tempo de dizer basta, que a paciência tem limites e que a Europa não é só a Alemanha. Infelizmente, neste momento, a Alemanha é o maior problema para a Europa.

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