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COISAS PEQUENAS

GABRIEL VILAS BOAS

Em 1997, Teresa Salgueiro cantava “Coisas Pequenas”, que procurava explicar que o Amor está nas coisas pequenas e são elas que fazem um grande amor. Antes, já Miguel Torga escrevera que “a vida é feita de pequenos nadas” e, na verdade, o decorrer da vida ensina-nos a valorizar as pequenas coisas de todos os dias.

Acho que descobrimos isso quando verificamos quanto estamos presos a um afeto, a um lugar, a um trabalho. Ou então, quanto nos irrita aquela desarrumação na casa de banho, a bicicleta eternamente fora de sítio, os sapatos espalhados pela casa ou o constante atraso com que nos obrigam a chegar atrasados aos compromissos sociais.
As coisas pequenas podem ter um papel devastador nas nossas vidas, porque passam bem por insignificantes e fazem-se de sonsas até se tornarem um vício poderoso que nos derrota lenta… totalmente.
Haverá sempre quem diga que as coisas pequenas têm também um lado B, que aproxima pessoas e resolve grandes problemas. Trata-se, no entanto, de uma verdade mais imperfeita, visto que poucos são aqueles que apenas convidam as coisas pequenas para os momentos mais emblemáticos da sua vida.
Felizmente o tempo e a vida fazem justiça às coisas pequenas de vida de cada um. Revelam a força dum abraço, o sabor duma presença, o amor colocado num doce que se trouxe para casa.
Depois de termos dado a volta ao mundo das coisas importantes, que nos conduziram somente à fama e ao poder, a rádio tocará sempre aquela insignificante canção que nos recordará todas as coisas pequenas que deixamos partir sem nunca lhes dizermos que eram grandes, imprescindíveis e únicas… para nós!
As coisas são grandes e pequenas, mas quem define esse valor é o nosso coração. Infelizmente, chegamos tarde a essa conclusão.

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