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43 ANOS DE GUINÉ BISSAU

JOANA BENZINHO
A Guiné- Bissau celebrou este sábado, dia 24 de Setembro, 43 anos de independência.
O colonialiamo, o jugo de uns povos pelos outros, foi um um capitulo menos feliz da história da humanidade que se verificou em todos os continentes sem excepção e que no século XX cessou finalmente em grande parte deles. 
A Guiné-Bissau é fruto deste movimento de descolonização e neste sábado, como seria de esperar, o dia de comemoração da independência foi cheio de festividades, principalmente na capital, Bissau.
Além das tradicionais cerimonias oficiais, desta vez (e mais uma vez) manchadas pela instabilidade política e marcadas pela ausência do Presidente da Assembleia Nacional e do Presidente do partido mais votado nas últimas eleições, houve festas e celebrações um pouco por toda a parte. O povo guineense é assim mesmo. Alegre, fanfarrão, um entusiasta das festas de rua. Este ano não foi excepção. Barraquinhas montadas com comes e bebes em algumas artérias da cidade, palcos com música com os decibéis no máximo até altas horas da madrugada, muitas famílias a passear na rua, e a conversar animadamente enquanto paravam aqui ali nas barraquinhas da rua de Angola ou se concentravam na Praça dos Heróis Nacionais.
Mas estas celebrações, esta alegria exteriorizada por que tem a música e a alegria no corpo e na alma, são apenas a capa de uma sociedade que continua a passar tempos difíceis, a deitar-se sem saber o que vai por no prato dos filhos no dia seguinte ou como juntar o dinheiro para comprar uma simples chapa de zinco que a proteja das fortes chuvas da época na sua casa onde chove quase como na rua.
Quando conversamos um pouco mais que o trivial, percebemos que a estrada não tem sido fácil para os filhos da Guiné-Bissau. 
Uma população fortemente jovem, com acesso a uma educação extremamente deficitária e a um sistema de saúde quase inexistente, teme naturalmente pelo seu futuro. E vive um misto de ansiedade e resignação que começa a tardar em tornar-se indignação. Porque eles sabem que não há futuro sem as componentes da saúde e da educação, pilares cruciais para a afirmação do seu País.
A festa fica assim amarga quando falamos do dia a dia, eufemísticamente marcada pela forte chuva que atingiu a cidade logo no momento em a musica começava a animar quem não teve lugar na parada oficial, mas apenas nos festejos populares de rua, e assim teve que recolher a casa.
A Guiné-Bissau tem um enorme potencial para ser um país de sucesso. Tem tudo para deixar dormir o seu povo em paz sem fazer conta aos bagos de arroz que sobram para a refeição do dia seguinte. Tem recursos naturais de excelência, tem uma geografia que lhe é favorável com fontes de água doce que chegam a destoar num continente onde a seca já mata e gera refugiados climáticos que afluem à Europa, tem jovens que auguram um futuro risonho ao país, tem um povo que nunca perde a esperança em ver o futuro mudar para melhor. Compete a cada um dos guineenses encarar este desafio de forma responsável e cumprir o futuro para que a Guiné-Bissau se orgulhe dos seus, e estes, do bonito país que os viu nascer. 
43 anos passados, a luta deve continuar mas desta feita para vencer as divisões, as desigualdades, a falta das condições mínimas de dignidade que a todos devem caber por direito inato e natural.
Feita que está a história da independência, faça-se agora uma história de sucesso do país. Parabéns Guiné-Bissau.

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