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CRÓNICA DE VIAGEM # MADRID

ANABELA BORGES
(MUSEU RAINHA SOFIA)
Tínhamos atravessado imensidões de searas; horas e horas de campos de cultivo; todo um “alentejo”. Um cenário trémulo e amarelo, com ondas de calor no horizonte, atrapalhava os sentidos, a ponto de parecer exactamente que, ao fundo, observávamos o mar. Pura ilusão de óptica.
Entrámos em Madrid pela Porta de Alcalá, uma das cinco antigas portas reais que davam aceso à cidade.
Não há dúvidas de que Madrid se destaca pela grande oferta cultural e pelo convite a umas boas horas de ócio. Esses prenúncios podem manter-nos ocupados desde a primeira hora da manhã até de madrugada. Mas entre o início e o fim de um dia de descoberta por Madrid, abre-se todo um leque de possibilidades, tantas que o melhor é ir logo pensando em voltar lá.
Tal como temos vindo a fazer noutras viagens, optámos por andar a pé e de Metro. O que, diga-se de passagem, é uma excelente opção em Madrid, já que a cidade é plana e o Metro, a rolar nos trinques, é sempre a horinhas. Impecável!
Plazas e mais plazas:
Naquela que é considerada a praça central de Madrid, na Porta do Sol, fica o quilómetro zero – a teus pés –, uma placa que assinala o lugar exacto onde se cruzam as seis estradas radiais de Espanha.
Mas é impossível não visitar a mais icónica de todas as praças: a Plaza Mayor. É necessário parar para apreciar cada detalhe desta carismática praça. Os edifícios apresentam praticamente todos a mesma cor vermelho-escura, dispondo-se em forma quadrangular. Visita-se a praça carregada de História, a pensar em tudo o que já aconteceu ali: touradas, festas populares, autos de fé e incêndios. Rodeada de esplanadas, fazendo apanágio ao gosto que os espanhóis têm em desfrutar do ar livre, a Plaza Mayor reúne turistas, artistas de rua, bares e restaurantes.
D. QUIXOTE E SANCHO PANÇA
E estando na Plaza Mayor, torna-se imperativo fazer uma pausa para visitar o Mercado de San Miguel. Construído numa estrutura metálica, ao jeito do Mercado Ferreira Borges no Porto, este não é um lugar exclusivo para fazer compras, mas, antes, um ponto de encontro para tomar um café, provar vinho, comer petiscos, ou para desfrutar dos melhores produtos frescos do mercado. Um lugar muito interessante, a palpitar de gente, no coração da cidade.
Outro lugar de grande interesse e beleza é a Plaza de España, onde, com belíssimas estátuas, se homenageia Cervantes e suas maiores criações, Dom Quixote, Sancho Pança e Rocinante. Sem sombra de dúvidas, o triste fidalgo e o seu fiel escudeiro são as personagens mais fotografadas no monumento dedicado a Miguel Cervantes na Praça de Espanha.
Por la calle:
Fontes, parques, jardins, palácios, mosteiros, igrejas barrocas e sobretudo pequenos recantos cheios de encanto… Passear por Madrid é uma experiência única para conhecer os bairros carismáticos, lugares para nos sentirmos perdidos, no bom sentido, para encontrarmos lojas com séculos de história e ateliers de artesanato que dão cor e ânimo às ruas.
Fomos visitar os jardins e o Templo (egípcio) de Debod, lugar carregado de história, para relaxar durante uma tarde inteira, com a Serra de Guadarrama como fundo.
Passear no bairro La Latina, o mais famoso bairro de Madrid, o lugar perfeito para gastar as horas ociosas numa esplanada é excelente para relaxar e escapar ao ruído da cidade.
O famoso Bairro de Salamanca é uma autêntica passerelle de moda. Tanto na rua de Serrano como em todas as que a rodeiam, lojas de luxo, sapatarias, joalharias e grandes nomes do mundo da moda, nacionais e internacionais, exibem os seus sofisticados e inovadores produtos em montras que constituem uma verdadeira tentação ao mundo material(ista).
Passear e fazer compras na Gran Via é imperativo, tanto de dia como de noite. Muito agradável nas noites mornas de Verão. Os edifícios são belíssimos, de alto a baixo. É necessário ver com (c)alma.
Cultural Paseo del Prado:
Prado, Reina Sofía e Thyssen-Bornemisza formam o Triângulo das Artes em termos de museus, no Paseo del Prado. Qual é o mistério de “Las Meninas”? Não consegui desvendar. Mas garanto que, para apreciar as incógnitas e segredos que esconde a obra-prima de Velásquez, não me cansei dedicar uns largos minutos à observação d’ “As Meninas” no Museu do Prado. A viagem cultural aos três museus é uma saudável overdose de arte e cultura, permitindo-nos apreciar obras de artistas como Goya, Tiziano, Rafel, Rubens ou El Bosco, El Greco, Velázquez, Picasso, Dalí, Miró, passando por Bacon, Lucian Freud e muitos outros.
O muito bom deste passeio cultural é que existem grandes descontos e entradas gratuitas em muitos casos especiais. O que (passando a redundância) foi o meu caso e o das minhas filhas, eu, por ser docente, elas, por serem estudantes. Fantástico, não é?
Depois de tantos quilómetros de cultura, foi hora de lanchar: um café, uma bebida e uns churros.

BAIRRO DAS LETRAS

E é claro que não perdemos ocasião alguma (e foram várias) de cumprir com a deliciosa tradição de ir comer as tapas.

Um bairro especial: passeios literários, debaixo dos pés:
Se existe mesmo o anjo do amor…? Os versos de José Zorrila, autor de “Don Juan Tenorio”, acompanham os nossos passos pelo Bairro das Letras, com fragmentos de obras de grandes escritores como Cervantes, Quevedo ou Góngora, gravados no chão da rua.
Não há volta a dar: numa cidade como Madrid beleza e cultura estão por todo o lado. É mesmo importante olhar para o céu e para o chão.

Madrid fica aqui ao lado. A cada passo, hei-de lá voltar.

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