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O FUTURO PRÓXIMO DOS EUA

LUÍSA VAZ
Tivemos oportunidade de, na madrugada da última segunda-feira, assistir ao primeiro confronto político entre Hillary Clinton e Donald Trump em directo para cerca de 80 milhões de pessoas. Pretendia-se com este debate que os intervenientes apresentassem as suas propostas, medidas e ideias para a Presidência que ora disputam.
Ao assistir ao debate, consegui aperceber-me dos ataques directos à pessoa de Donald Trump por parte de Hillary Clinton. Trump que se tem apresentado durante todo este processo como alguém “ sem papas na língua”, que se dirigiu de forma muito dura a aspectos bastante fracturantes no país e no Mundo, vem agora apresentar um discurso mais comedido e nota-se que encaixa sem fazer grande barulho bastantes ataques à sua índole por parte da Sra. Clinton.
O que me espantou no entanto e tendo a Sra. Clinton sido Primeira-Dama, Senadora e Secretária de Estado, tenha optado por jogar em antecipação no jogo que Donald Trump tão bem conhece em vez de usar a sua experiencia política para o “ encostar às cordas” com projectos políticos sólidos. Tentar apenas denegrir Trump, aflorando somente questões tão importantes como a Economia e o seu desenvolvimento, a Segurança Social e o Emprego e outras questões de política interna e externa nas quais deveria ter um plano traçado e ideias bem definidas optando por confrontá-lo em posicionamentos racistas e xenófobos ficou aquém das minhas expectativas.
Trump teve, segundo o que disse no debate, um apoio avultado do seu pai para iniciar o seu império. Estará agora falido e resiste a mostrar a sua declaração de IRS às finanças norte-americanas, isto de acordo com as declarações de Hillary e que o próprio não desmentiu. Tudo isto pretende demonstrar as intenções de Trump que culminam na sua candidatura e alertar os norte-americanos do perigo que seria elegê-lo, ele que apresentava um confortável empate técnico face a Hillary antes do debate que as mais importantes agências noticiosas dizem que ela ganhou.
Mas e as ideias? E os projectos? Tudo isso ficou por debater. Tudo o que era o mais importante, tudo bem que um público de 80 milhões de potenciais votantes seria a oportunidade perfeita para desmistificar a pseudo-frontalidade e patriotismo de Trump mas deveria servir também para que esses mesmos eleitores ficassem esclarecidos quanto à forma como cada um dos candidatos pretenderia usar a sua influência enquanto futuro/a Presidente dos Estados Unidos e isso ficamos sem saber.
Foi portanto um debate sem ideias, sem projectos e que visou apenas o ataque à honra. Se Trump se tem posto a jeito com as várias posturas públicas que tem assumido e discursos que tem proferido? Sim, de facto tem e demonstrou que seria perigoso dar-lhe tanto Poder.Poderia a sua experiência empresarial ser benéfica no desempenho do cargo? Seria uma gota no oceano do que são as responsabilidades maioritariamente diplomáticas do Presidente da nação mais poderosa do Mundo.
Poderia Hillary ter ido mais longe e elevado o debate ao verdadeiro confronto político demonstrando tudo o que aprendeu nos últimos 30 anos? Sem dúvida, exigia-se mais honestidade intelectual à candidata que deveria ter aproveitado esta oportunidade para demonstrar que é a pessoa mais qualificada para o cargo.
Pese embora todos os escândalos que sempre a acompanharam aos quais se junta este último dos “e-mails desaparecidos”, era de esperar que ela tivesse maior jogo de cintura e pudesse recorrer à experiencia de Estado e de gabinete para demonstrar que vontade só não chega, que falta de educação não é frontalidade e que experiência empresarial não é suficiente quando se pretende governar um país com as idiossincrasias dos Estados Unidos.

Na minha opinião e de acordo com tudo o que tem sido dito e escrito, Hillary Clinton é o mal menor mas sem dúvida que acredito que os Partidos norte-americanos tinham assets de maior valor para apresentar a estas eleições.

Teremos que esperar para ver quem ganha mas uma certeza já temos neste momento: mais uma vez não vão ganhar as ideias e os projectos. Mais uma vez os problemas que a América atravessa vão ficar na sua grande maioria sem resposta e quem vai ganhar será a pessoa que conseguir conquistar a confiança dos americanos.

Que seja uma escolha feita em consciência e não uma que nos traga consequências nefastas a todos.

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