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CALDAS DAS MURTAS/ TERMAS DE AMARANTE

ANTÓNIO PATRÍCIO 
Se me perguntarem se Amarante suporta, no seu espaço físico e de saúde pública, uma infraestrutura plenamente vocacionada para o alívio da dor através de tratamentos à base de água termal – sulfurosa/alcalina – a minha resposta é, obviamente que sim.
Que sim porque faz parte da história de Amarante a utilização, não só de águas provenientes de nascentes, sejam elas de chafurdo ou não, como também, as próprias águas do rio Tâmega que, no passado séc. XVIII eram recomendadas pelos médicos para banhos contra as maleitas da pele. A água que, ainda, brota no fontenário da Feitoria era recomendada para distúrbios intestinais.
Estas águas sulfurosas que nascem de chafurdo em alguns pontos da cidade eram utilizadas, ao chegar da Primavera, pelas pessoas que sofriam de eczema, doença esta, que se tornava muito agressiva ao “rebentar da folha” e a sua utilização, em banhos, aliviava sobremaneira. 
Amarante fez parte do “Roteiro Termal Nacional” e, se em finais do séc. XIX as Caldas das Murtas se limitavam a um rudimentar alpendre onde os utentes usufruíam de algum alívio, o certo é que, depressa o alpendre se transformou num balneário com as condições de higiene de acordo com as exigências da altura. Foram muito procuradas até meados do séc. XX, acusando algum envelhecimento por volta dos anos sessenta e, por que não dizê-lo, uma acentuada quebra na sua procura.
Aquando da construção dos edifícios, em altura, onde se encontra o Restaurante Grelha, as águas foram canalizadas e reservadas para umas futuras instalações e novas Caldas das Murtas, coisa que nunca chegou a acontecer talvez, por que ao tempo, tivessem “passado de moda” os tratamentos em Caldas ou por questões meramente económicas. 
Nestas intervenções nem toda a água nem toda a água foi sujeita à prisão das canalizações, razão porque “alguma água perdida” acabou por ser direcionada para um fontenário público, de bica aberta, sito no parque de estacionamento do complexo habitacional – pena não estar sinalizado.

Passaram-se os anos e a intenção de construir, de raiz, um Parque Termal, foi sendo tema aquando da construção dos edifícios do lado esquerdo da Av. 25 de Abril. O tempo não esperou e a Câmara entendeu mandar fazer prospeções no Carvalhido quando teve conhecimento que um poço aberto por um morador, no entroncamento das Ruas Cap. Augusto Casimiro, do Bairro Cor. Carvalho Lima e do Carvalhido, puramente para rega, tinha dado água sulfurosa. Esta prospeção não surtiu efeitos. Os anos continuaram a passar e, num passado presente, de novo a Câmara meteu mãos-à-obra e mandou fazer novas prospeções no antigo Parque de Campismo que, diga-se em abono da verdade, foram coroadas de êxito. Havia água em abastança e o espaço era adequado para albergar um novo e moderno “Complexo Termal” que colocaria, de novo, Amarante no “Roteiro Termal Nacional”.

As Caldas das Murtas ficariam na história e na saudade dos amarantinos.
O projecto estacionou e, este ano, ganhou força e uma nova dinâmica no corrente ano com o lançamento da primeira pedra do que virão a ser as Termas de Amarante e, as “Águas do Patarata” assim popularmente conhecidas, voltarão a aliviar as dores reumáticas, a coceira e o desconforto do eczema e outras dermatoses, abafamento brônquico e as incomodativas moléstias intestinais. A ingestão das águas, os banhos de imersão e os duches, as pulverizações que, ao tempo, se distribuíam por nove banheiras e duas salas de tratamento irão passar ao esquecimento e dar lugar a novas, modernas e cómodas áreas onde o utente poderá usufruir de tratamentos de última geração.
Amarante e os amarantinos merecem este aproveitamento das águas e um “Complexo Termal” que honre o que os de antanho nos legaram.
As “Termas de Amarante” são uma mais-valia não só para Amarante mas, também, para toda a circunvizinhança que, por estar a dois passos, pode desfrutar dos benefícios que a Natureza nos dá gratuitamente.

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