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AS NOVAS ROTAS DA SAÚDE MENTAL

HELENA COUTINHO
Em pleno século XXI, da Era comum, a mente humana continua a ser considerada um território vasto e extraordinariamente misterioso, onde coabitam, sob pele de noz, e ancorados entre inúmeros fios condutores, milhares de enigmas e fraquezas intemporais. Depois de ultrapassados alguns cabos de boa esperança, há quem ouse afirmar, utilizando a honra como escudo, que se algo ou alguém nos quer corroer ou vencer, é no pensamento que se aloja e constrói uma torre de comando, invisível, a partir da qual domina cada célula do que sentimos, pensamos e fazemos. Alguns dos mais inteligentes e curiosos habitantes do nosso planeta, continuam a partir, diariamente, em busca de novas descobertas, por hemisférios pouco ou nada navegados, apostando em novas rotas para a saúde mental. 
À semelhança do que acontecia, nos séculos passados, ocasionalmente, a ambição continua a fazer sobrar a vontade e falhar a lucidez, na tentativa de descodificar, finalmente, todos os códigos hormonais e mapas mentais. Apesar dos impérios já conquistados, por alguns dos mais notáveis Infantes da investigação, é urgente aprender a interpretar a arte contorcionista das emoções e penetrar, cada vez mais fundo, nos túneis secretos da memória, onde se instalam e progridem as incubadoras do medo e da infelicidade.
Ao contrário do que muitos insistem em apregoar, por ignorância ou puro interesse, o acto de despir (e escutar) a consciência continua a ser um processo complexo, arriscado e, frequentemente, assustador, que requer ajuda profissional. Assim sendo, um acompanhamento atento e informado ajuda a percorrer (ou construir) as únicas pontes que nos permitem atravessar os mares bravos da depressão e percorrer os impossíveis do pensamento. O pensamento, tal como o coração, também adoece. E é vital compreender (desmistificando), que sempre que algum destes gémeos falsos se encontra enfraquecido, fragiliza, em dobro, o seu semelhante, colocando em risco a sobrevivência de quem sofre e de quem cuida.
Hoje, enquanto a vida vai acontecendo, apressada, as certezas de ontem caem, como as folhas de Outono, aos pés do senhor tempo. E nem o tempo, confuso, sabe se as deverá apanhar e guardar no coração ou no pensamento. Enquanto a vida vai acontecendo, indomável, a maioria parece esquecer que o hoje nem sempre encontra o caminho para o amanhã e perde-se, em encruzilhadas internas, sem tempo para deixar um rasto luminoso, ou réstia de tempo, no tempo de alguém. E assim, enquanto a vida vai desfolhando os dias, segundo por segundo, quem murcha e enlouquece, de pé, são os homens que se julgam imunes à dor psicológica.

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