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AS EXCELSAS POLÍCIAS PORTUGUESAS

LUÍS ARAÚJO
Não cessa de me surpreender a excelência das nossas policias.
Em muito pouco tempo o SEF deixou entrar um clandestino em Portugal porque o autorizou a fumar um cigarro e este veio fumá-lo para fora do aeroporto, de onde saiu calma e placidamente pela porta principal para nunca mais ser visto, a GNR viu um dos seus elementos dar, literalmente, um tiro no pé, na mais-do-que-rocambolesca fuga de um criminoso dos últimos anos, e a PJ, a super e excelsa Judiciária, depois de mais de duas semanas de aturada perseguição na serra transmontana, devidamente acompanhada ao minuto por tudo o que é órgão de comunicação social tanto diz num dia que acredita que o suspeito se encontra em Vila Real como no dia seguinte pede um mandato de captura internacional, depois de ter consultado um mapa e verificado que Xinzo de Limia, afinal fica na Galiza. 
Já há alguns meses um agricultor idoso, “Palito”, depois de concretizar o sonho de muito homem ao balear a sogra, conseguiu andar fugido durante mais de um mês.
Face a tão excelsas demonstrações, pelos vistos só não há uma explosão incontrolável da criminalidade, daquelas tipo morro da rocinha ou complexo do alemão, que tanto entretém os cariocas, porque os criminosos não se empenham o suficiente no seu “metier”.
Eu digo “não se empenham o suficiente”, porque acabei de acordar e ainda estou com a bondade a fluir-me pelas veias, pois a maior parte é burra como portas.
Ainda esta semana fomos brindados com um assaltante de bancos que, não contente com o assalto que tinha acabado de efetuar voltou para trás, ficando preso na zona da caixa do multibanco, após os funcionários terem trancado as portas remotamente, de dentro da agencia, num perfeito exemplo de alguém que não pensou muito bem a coisa.
É uma classe desunida, sem brio e sem empenho, o que é preocupante, pois estamos a falar de uma das poucas atividades que proporcionam várias saídas de futuro em Portugal e se a coisa correr mal em Portugal, podem sempre tentar o estrangeiro, como qualquer enfermeiro acabado de entrar para os bancos da universidade sabe, e se correr, mesmo, mesmo mal, o Estado encarregar-se-á de providenciar um teto e 3 refeições diárias por vários anos, o que pode não parecer muito, mas já é mais do que aquilo a que têm direito muitos funcionários públicos.
E não havia razão para tal, pois os criminosos são uma grande fonte de diversão para a população, além de uma alternativa excelente à Casa dos Segredos, mas mais são cultura, são informação.
Antes de Palitos, Pilotos e dos Refugiados existia esta ideia descabida de que quem envergava uma farda sabia o que estava a fazer, graças a estes senhores e putativos meliantes, já toda a gente tem a percepção de que as autoridades não conseguem encontrar um elefante num jardim zoológico.
Verificar que um refugiado maltrapilho de um país do terceiro mundo, um agricultor semi-analfabeto e um criador de gado conseguem fazer gato sapato das policias portuguesas, e até de várias policias ao mesmo tempo, que passam mais tempo a discutir entre elas do que a correr atrás do bandido, não é triste, é de valor e um autêntico serviço publico.
Ora, se quanto à excelência das nossas policias estamos conversados, valha-nos a Polícia do Uzbequistão, onde Piloto vai ser detido daqui a 4 anos, depois de uma discussão fútil com um empregado de café por causa do preço do Cimbalino.

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