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A SOBREVIVÊNCIA DOS MAIS ESTÚPIDOS

LUÍS ARAÚJO
Não há nada mais fascinante para se fazer presentemente do que falar com um apoiante de Donald Trump.
Após um breve diálogo com um ferrenho (não há de outro tipo) apoiante do Donald fica a estonteante percepção de que existem coisas ainda mais ocultas do que o lado escuro da lua, com a clara vantagem de estas acontecerem aqui mesmo, ao pé de nós, para amplo gáudio e interminável diversão.
E é fascinante porque, após uns meros 5 minutos de diálogo – eu digo 5 minutos para ser simpático, na realidade basta minuto e meio – verifico que, afinal, o futuro presidente dos Estados Unidos, é um menino de coro, com um discurso bastante moderado, se comparado com os seus apoiantes, qualquer apoiante, onde quer que se encontre no globo.
Os inflamados discursos de Trump verberando de forma insana, mulheres, negros, latinos, emigrantes – e toda e qualquer minoria em que pudesse dar um chuto – não passam de um pequeno aperitivo se comparados com aquilo que os seus votantes pensam e dizem.
Curiosamente esses votantes são… Mulheres, negros, latinos, emigrantes e toda e qualquer minoria que possa levar um chuto!!!
O que permite introduzir uma ligeira alteração à famosa teoria de Darwin, quanto à “sobrevivencia dos mais aptos”, para a “sobrevivência dos mais estúpidos”.
É que, até compreendo perfeitamente que um americano alto, loiro e atrasado que habite num daqueles estados quadrados da américa profunda – ou no Texas – tenha ideias destas, eu próprio acredito firmemente que qualquer homem à nascença devia ter direito a pelo menos 6 mulheres que devotassem todo o dia a provir o seu macho alfa de toda e qualquer necessidade deste, no entanto ia achar um bocadinho estranho se encontrasse 6 mulheres, ou 3, ou uma que seja, que partilhe da minha ideia.
Há bem pouco tempo tive um diálogo fascinante desses com um amigo meu, latino, emigrante nas Américas e fã incondicional de Trump.
Como me encontrava de bom humor ainda lhe tentei explicar que, quando o senhor da farta cabeleira loira se atirava aos latinos era a ELE que se estava a referir, quando atacava impiedosamente os emigrantes era a ELE que se estava a referir e quando dizia ao americano para comprar armas e darem tiros nesta gente, era às nádegas DELE que se estava a referir.
Pelos vistos eu estava errado, pois os discursos racistas e xenófobos diziam respeito a toda a gente MENOS ao meu amigo, que acha muito bem que se corra com toda essa corja de malta de cor e estrangeiros de volta aos seus países, menos ELE, claro, não é dele que se está a falar.
Pseudo-intelectuais têm vindo a elaborar os mais profundos comentários, teorizando amplamente sobre liberalismo, conservadorismo e outros “ismos” demasiado intrincados para o cidadão normal, de tão profundos e complexos, ora o que eu queria mesmo é que alguém me explicasse como é que 10 000 anos de civilização vão desembocar neste meu amigo, ou como é que génios como ele conseguem desempenhar tarefas complexas como aprender a tabuada dos 3, apertar os cordões sem ajuda, ou desenvencilhar sozinho na espinhosa tarefa de colocar uma cruz num quadrado.

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