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MEMÓRIAS DE NATAL

CATARINA DINIS PINTO
Independentemente de tudo eu adoro o Natal. É verdade que me traz nostalgia mas traz sem dúvida, a minha memória e ao meu coração, aqueles que são para mim dos melhores momentos da infância.
O Natal vivido na infância é tão diferente do que vemos hoje em dia… não importa a década, a maneira de olhar para é que se modifica a medida que crescemos… depois tudo modifica e só nós é que sabemos se aceitamos isso ou não. O meu Natal significava férias, muitos doces, muitas tropelias, prendas e família… Não posso deixar de relembrar que a família tenha sofrido algumas alterações, existiam pessoas tão próximas a mim que ao longo dos anos me foram deixando um pouco mais só ou não… A verdade é que sinto que nenhum deles partiu de verdade e está aqui no meu coração, de certa forma celebramos o Natal juntos. Continua a estar na tarde onde a minha avó e a minha mãe preparavam a melhor aletria do mundo, rabanados, arroz doce. Recordo-me de nessa tarde nunca parava de brincar aos doutores ou professores com os meus nenucos e barbies. O meu pai chegava a meio da tarde do trabalho e com ele trazia sempre um bolo-rei que os seus patrões ofereciam os empregados. Como eu amava desembrulhar e ajudar a coloca-lo no prato.
Neste dia, até as batatas cozidas, a couve e o bacalhau pareciam ser feitos de doce… é impressionante mas neste dia eu comia sem birra, sem problemas…
Recordo-me de vermos televisão ainda a preto e branco nas mais antigas memórias e num dos Natais a prenda foi mesmo uma televisão a cores que estava sempre avariada ….
Depois chegava a hora de ir dormir, era ai que eu fingia que ia para a cama e fechava os olhos…Sabia que não existia Pai Natal mas insistia que isso não era um problema, afinal podemos sempre imaginar, e pedia aos meus pais para imaginarmos que quem trazia as prendas era o menino Jesus. Assim mal estivessem as prendas na sala, alguém batia a janela do meu quarto, para dar sinal que as prendas tinham chegado…Voava até elas e já ninguém me conseguia por me a dormir…. O que eu queria mesmo era brincar… Depois de algumas negociações lá ia dormir para um maravilhoso dia nascer… o dia de Natal (que durante muitos anos íamos para a casa da outra avó e tios em Mondim de Basto). Claro la ia eu carregada com os meus novos brinquedos…
Pura saudade destes tempos desmedidos, um tesouro em meu coração, são estes instantes de um dia que ainda hoje me fazem sorrir no Natal… 
Eu penso, se me fizeram feliz porque não poderei eu fazer o mesmo pelos meus filhos? E encher o seu coração de memórias.
Para terminar deixo um pequeno poema, escrito por mim em nome de todas essas memórias.

Natal dos meus natais… Em que o meu menino Jesus esperava tal como eu… A tua chegada… Natal de alegria, Hoje revivido com saudades. Sei que existem amores mais fortes que o tempo ou o calendário. e em segredo no meu coração Mais um Natal que rimos, Brincamos, construímos casas de bonecas construímos sonhos que um dia sonhamos…

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