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ENVELHECIMENTO: OS GRANDES TEMAS DA GERIATRIA EM PORTUGAL

GABRIELA CARVALHO
Na crónica de hoje escrevo-vos em continuação à terceira crónica (escrita por mim para a Bird), onde abordei a Geriatria e a Gerontologia.
Ao falar-vos sobre a Geriatria, reforcei a importância de não se ignorar que a passagem dos anos produz nos organismos vivos desgaste das suas capacidades e que depois dos 80 anos de idade podem ser identificados diferentes graus de insuficiência orgânica para as quais os profissionais de saúde devem estar atentos, para que as medidas de prevenção especiais sejam implementadas de forma a não agravar a qualidade de vida.
Reforcei que, segundo Helena Saldana em 2009, os temas sobre a Geriatria são vastíssimos, sendo os mais frequentes em Portugal:
– História clínica do velho doente e suas particularidades
– Sindroma geriátrica e sindroma de fragilidade
– Problemas de mobilidade e quedas
– Doença arterial periférica
– Sindroma de incontinência
– O idoso com úlceras de pressão
– Sindroma de polifarmácia
– Sindromas tromboembólica
– Diabetes mellitus no idoso
– Osteoporose em idade avançada
Para a Terapia Ocupacional, há temas mais significativos que outros; isto é, há temas para os quais a intervenção o Terapeuta Ocupacional é chamado a intervir, enquanto noutros não se verifica (ou não se verifica com tanta frequência/facilidade) a intervenção desta profissão da área da saúde.
Dos temas supra referidos, exploro hoje a Sindroma geriátrica e sindroma de fragilidade.
Segundo também Helena Saldanha, a “única definição lógica de sindroma geriátrica é a seguinte: alteração do estado de saúde dos idosos, cuja etiologia depende de múltiplos factores de risco e/ou de doenças crónicas concomitantes.”
Neste sentido (e como representado no esquema seguinte) percebe-se que perante um factor de risco e/ou doença crónica, existe um maior risco de declínio funcional, quedas, úlceras de pressão, incontinência e demência. Como tal, o idoso vai tornar-se mais frágil. Esta fragilidade conduz a um processo de maior dependência e, consequentemente, à sua morte.
Facto é, que «os clínicos mais directamente relacionados com a saúde dos mais velhos, aperceberam-se que a partir de uma determinada idade, as pessoas se tornam mais vulneráveis às agressões do meio ambiente manifestando enfraquecimento físico generalizado, mesmo na ausência de doença aguda ou crónica. Este enfraquecimento orgânico geral, sem evidência científica de ser dependente de causas patológicas foi designado de “SINDROMA DE FRAGILIDADE”.»
O Sindroma de Fragilidade reúne um conjunto de critérios para ser diagnosticado:
Perda de peso espontânea;
Sarcopenia (perda de massa muscular);
Falta de força;
Lentidão de movimentos;
Diminuição da capacidade para praticar um mínimo de actividade física.
Importa salientar que esta sindroma não é uma doença, mas um “estado intermédio entre ser funcionalmente competente ou estar incapacitado para uma ou mais tarefas indispensáveis do dia-a-dia, como fazer a sua higiene pessoal, comer pela própria mão …” Por isso ser um dos grandes temas da Geriatria para o qual o Terapeuta ocupacional é capaz de direccionar uma intervenção capaz e eficiente. Como profissional da área da saúde cuja função consiste em intervir com a pessoa (em qualquer fase da vida) através do envolvimento em actividades significativas, com o objectivo de lhes proporcionar o seu máximo nível de funcionalidade e de independência nas ocupações em que desejam participar, percebe-se que o papel da Terapia Ocupacional é essencial nesta síndroma.
Não obstante, a intervenção poder ser realizada em qualquer fase de desenvolvimento desta síndroma, facto é que o estado de fragilidade de um idoso deve ser diagnosticado o mais precoce possível, antes que se estabeleça na sua plenitude o sindroma de fragilidade.
Para intervir com o síndroma de fragilidade, é fundamental perceber que:
“Ser frágil não equivale a ser doente e fragilidade não é uma doença, mas sim um estado intermédio entre ser saudável e funcionalmente activo e ter algumas insuficiências funcionais com susceptibilidade para tornar-se doente.”
“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional proporciona vida aos anos.”
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Referências Bibliográficas:
– Ferreira, O. G. L., Maciel, S. C., Silva, A. O., Santos, W. S. d., & Moreira, M. A. S. P. (2010). Envelhecimento activo sob o olhar de idosos funcionalmente independentes. Esc Enferm USP, 44 (4), 1065-1069.
– Ferreira, O. G. L., Maciel, S. C., Costa, S. M. G., Silva, A. O., & Moreira, M. A. S. P. (2012). Envelhecimento ativo e sua relação com independência funcional. Contexto Enfermagem, 21(3), 513-518.
– Organização Mundial de Saúde (2005). Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organ

ização Pan-Americana da Saúde.

– Ribeiro, O., C. Paúl (2011). Manual de Envelhecimento Activo. Lisboa, Lidel – edições técnicas, lda.
– Sequeira, C. (2010). Cuidar de idosos com dependência física e mental. Lisboa, Lidel – edições técnicas, lda.

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