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"LA BUENA ESCUELA PORTUGUESA"

“O “milagre” destes números assenta, em primeiro lugar e em último lugar, nos professores e na escola pública, inclusiva, multicultural e garante da promoção da igualdade. A começar no pré-escolar e a acabar no Secundário, numa média de 35 horas semanais e às vezes mais”
MIGUEL TEIXEIRA
Numa extensa reportagem publicada no passado dia 9 de Dezembro, com o título “A boa escola portuguesa”, o prestigiado jornal espanhol “El País” destacava que “Portugal é o único país europeu que melhora continuamente o seu nível educativo desde o ano 2000”. Com efeito no estudo internacional PISA, no qual participam 70 países, os alunos portugueses de 15 anos obtiveram resultados melhores do que os dos países mais ricos, O relatório avalia, simplificando, coisas simples: a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos. Essa foi, em poucos dias, a segunda boa notícia. A primeira tinha sido a revelação dos resultados do TIMSS, testes que se realizam de quatro em quatro anos, a Matemática, e nos quais os alunos portugueses do quarto ano conseguiram a 13.ª posição, entre 49 países, ficando, pela primeira vez, à frente da Finlândia. O “El País” interrogava-se como é que um país com uma das maiores dívidas públicas do mundo, resgatado pela “troika”, com relatos diários nos jornais de crianças a passar fome, que cortou salários aos professores, que aumentou o número de alunos por turma de cantinas abertas nas férias para socorrer os mais carenciados, do alastrar da pobreza, como é que esse país mergulhado em problemas conseguia tão bons resultados na Educação. A resposta foi dada ao diário espanhol por Fátima Rodrigues, diretora da Escola Secundária de Miraflores, em Oeiras. “O milagre é o esforço na Língua Portuguesa e nas Matemáticas. Damos muito apoio aos estudantes. E o professor dedica mais tempo a tirar dúvidas”. Perante estes bons resultados conseguidos pelos alunos portugueses nos domínios das ciências, matemática e leitura, relatado pela imprensa internacional, assistimos em Portugal a tentativas de apropriação dos “louros” pelo sucedido e a opiniões “parciais”. Colocar o ex. ministro Nuno Crato como grande responsável pelos bons resultados internacionais alcançados pelos alunos portugueses no Programa PISA é não perceber que as melhorias conseguidas pelos discentes portugueses sucedem há década e meia e não nos últimos 4 anos. Imaginar que os bons resultados conseguidos se devem a este ou àquele exame, que existia e que entretanto foi suprimido é assumir uma visão redutora do problema do sucesso educativo. Como exemplarmente sintetiza Domingos de Andrade, diretor executivo do JN em artigo publicado no passado dia 10 de dezembro, O “milagre” destes números assenta, em primeiro lugar e em último lugar, nos professores e na escola pública, inclusiva, multicultural e garante da promoção da igualdade. A começar no pré-escolar e a acabar no Secundário, numa média de 35 horas semanais e às vezes mais. Assenta na resistência às sucessivas políticas de educação, servidas ao sabor das cores políticas e grande parte das vezes de sentido oposto. Assenta em persistir fazer da escola o lugar da instrução e da educação. Deve-se, também, aos pais e às mães, insista-se, sobretudo às mães, que somam ao cardápio de tarefas o apoio persistente aos filhos. E ao diálogo com a escola. Uma sociedade que olha com ambição para a Educação prepara-se melhor para o futuro. E é nela que devemos acreditar. 

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