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SALVAR BRAGA: SÓ COM UMA GERINGONÇA

ANTÓNIO FERNANDES
O Concelho de Braga atravessa um período extremamente complicado naquilo que concerne ao seu desenvolvimento em todos os domínios.
Sendo que os domínios com maior impacto politico e social são: a cultura; habitação social; a rede de transporte públicos; recuperação e regeneração do edificado urbano no centro histórico; o urbanismo; o ambiente; o respeito pelo PDM aprovado pelo atual poder municipal; o comercio e serviços; entre uma panóplia complexa daquilo que é o ato público de gerir politica e socialmente uma cidade e um Concelho.
Uma atitude cívica que envolve como primeira conduta a opção política, e como consequência dessa opção, as políticas a implementar. 
Politicas essas, de alteração de tudo aquilo que é premente alterar como o são as áreas referidas, mas que importa reforçar com opinião porque a crítica construtiva deve ter como suporte propostas de solução. 
Importa por isso realçar o seguinte:
– No domínio da Cultura é imperiosa a participação ativa do movimento associativo na construção de uma carta que vincule as partes; Município de Braga e as associações existentes, na construção de uma plataforma de discussão permanente de todo o panorama cultural, em articulação com os agentes económicos envolvidos, de forma a construir e a agendar com eficácia, tudo aquilo que a cidade tem para oferecer aos seus cidadãos e a quem a cidade visita. Que, como sabemos tem sido matéria afloradas com ligeireza balizada por antecedentes sem a noção de que os tempos e as pessoas mudam e os gostos também. Em suma: a Cultura é a forma visível do interior de uma comunidade. No caso, a nossa. A dos Bracarenses.
– No que concerne à habitação social é imperioso rever o seu regulamento que carece de dignidade e de respeito pela carta internacional dos direitos humanos; rever as condições de alojamento e de inserção e reinserção que não podem perdurar no tempo. Porque se isso acontecer é porque falharam todas as políticas no sentido atrás referido (inserção e reinserção); reabilitar todo o edificado; enquadrar arquitetonicamente os espaços; dignificar as pessoas e todo o edificado; afastar os estigmas socialmente criados; entre muitas outras soluções para as condições que se enraizaram com o tempo e que urge remover.
– A rede de transportes públicos não tem encontrado soluções que importa procurar para ligar as pontas de uma cidade aonde a desordem urbanística é evidente. Em que pensar em interfaces de transporte público que articule a procura e a oferta que existe para os destinos são diversificados e que por isso urge pensar. Assim como tornar o transporte público solução para as famílias nas deslocações de suas casas para as suas atividades. Uma solução com ganhos económicos, ganhos de tempo na deslocação, comodidade no transporte entre outros ganhos;
Nesta avaliação de reflexão a colaboração das freguesias através das suas forças vivas mais o olhar atento dos agentes económicos através das suas associações
representativas é de importância vital.
– No que toca à reabilitação do centro histórico da cidade que já trazia uma dinâmica própria incutida pelo órgão executivo anterior no município de Braga, nada foi acrescentado que trouxesse mais valia facto pelo que se conclui que a política de reabilitação urbana do centro histórico era a possível e a mais correta. Havendo ainda a necessidade de estabelecer “pontes” de negociação com os proprietários de edificado devoluto no sentido da sua possível recuperação para a exploração do setor do turismo que carece de habitação sazonal, em alternativa ao setor hoteleiro convencional, de forma a que esse modelo turístico familiar floresça na cidade, nomeadamente no seu centro histórico; 
Naquilo que concerne ao setor hoteleiro com horário prolongado, noite adentro, uma necessidade dos tempos modernos, local e turística, há as reclamações dos moradores. Reclamações que urge colmatar com soluções terão de ser negociadas com senso e saber. Haja vontade e há sempre solução para tudo;
Há também o dever de olhar a desertificação das zonas comerciais em pleno coração da cidade;
– O ambiente deve assentar no pulsar de uma cidade que se quer viva em permanência: com os seus parques verdes e outros equipamentos de lazer em que é urgente criar dinâmicas de atração popular para que fiquem cheios, de gente; 
O aproveitamento de todo o seu potencial de captação de turismo; 
A reorganização ambiental do tecido rural; 
A requalificação com regulação adequada de toda a orla florestal; ribeirinha; caminhos pedonais; roteiros; e demais motivos do interesse público num tempo em que o tempo médio de vida aumenta significativamente o que quer dizer que se torna necessário e urgente pensar em ofertas de soluções para a comunidade sénior para além das associações de reformados que tem feito um trabalho meritório no âmbito das suas competências.
Estes e outros motivos exigem uma administração daquilo que é do domínio público que seja rigorosa e transparente. O que não tem acontecido em muitos casos e que o cidadão comum começa a recear que passe a ser a prática corrente. 
Nomeadamente, no domínio das despesas publicas, os ajustes diretos como prática, e aquilo que ninguém sabe em bom rigor como funciona, a que chamam Orçamento Participativo.
Neste cenário de abordagem muito superficial sem ir ao fundo do rigor e da dignidade que se exige a um eleito, importa perspetivar o futuro num quadro político difuso em que a direita que não se entende se ajusta numa coligação “Juntos por Braga” e à esquerda não se vislumbra esse ajustamento por muito coincidentes que sejam

os pontos de vista sobre os mais diversos assuntos.

Não há “pontes” de entendimento local. Nem para o Município. Nem para as freguesias. Situação constatável em todas as freguesias urbanas e na Assembleia Municipal. Órgãos aonde tem maioria e não reflete essa mesma maioria.
Por isso, para que se faça uma “geringonça” no Concelho de Braga são necessárias premissas que eram impensáveis e que por o serem geraram condições políticas de distanciamento ideológico que agora se torna necessário ultrapassar.
Uma das condicionantes é, desde logo, a necessidade de que esse entendimento seja local e não decidido em Lisboa porque traria vício de forma inultrapassável para as organizações políticas envolvidas e para os cidadãos eleitores.
A questão mais pertinente centrar-se-á na capacidade política e de negociação dos agentes envolvidos. O que se vier a acontecer, a construção de uma “geringonça” para salvar Braga da inércia, do marasmo, e da inoperância política do poder instalado, trará vida a uma cidade em agonia e que se quer verdadeiramente ativa.

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