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O PAPEL DO IDOSO NA FAMÍLIA

MÁRCIA PINTO
Todos os anos acontece o mesmo, a comunicação social um mês antes do Natal começa a mostrar os brinquedos, as roupas, os eletrodomésticos que nos poderiam fazer feliz na noite de Natal, caso os recebêssemos de presente.
Mostram-nos os centros comerciais com decorações lindíssimas, famílias felizes à volta de mesas recheadas ou da árvore de Natal a abrir presentes, como se da realidade se tratasse.
Desta forma, dão-nos a sensação de que a nossa família não é perfeita, que a nossa mesa de Natal será muito pobre, os nossos filhos vão ficar frustrados com os presentes que vão receber.
Mas será que é isso que realmente vale a pena? As decorações, a comida, os presentes?!E os valores onde estão?! O sentido do amor verdadeiro, da família, da amizade não será mais importante? Claro que sim!
No entanto, é nesta altura em que os nossos idosos são abandonados nos hospitais pelas famílias que preferem ostentar a riqueza visível aos olhos, quando a verdadeira beleza do ser humanos está no coração.
Infelizmente, para muitas pessoas, o idoso já não é visto como parte integrante de uma sociedade, ou como alguém que ainda pode contribuir com o seu conhecimento cultural, profissional e espiritual.
Isto acontece, em especial, nos pais de mais idade, que têm necessidades básicas: de atenção e carinho, que lhes têm sido negadas pela insensibilidade e egoísmo dos seus filhos, que preferem entreter-se com as novas tecnologias, do que conversar em família.
Deste modo, este comportamento transmite aos netos a ideia de que bastam algumas visitas, rápidas e ocasionais, alguns telefonemas semanais, um almoço ou jantar de vez em quando, para cumprir o que lhes caberia fazer pela saúde e bem-estar dos mais velhos.
Assim, nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que tem um impacto negativo no modo de vida de toda a família.
Consequentemente, alguns são vítimas do abandono. Falta de recursos pode justificar os fins, mas carinho não tem preço. Eles foram esquecidos. Existem aqueles que não constituíram família. Outros são “pais órfãos de filhos vivos“, expressão que me faz arrepiar só de ouvir… A idade refletida no rosto revela um coração cansado, que reclama por atenção. Diferente do que acontece quando se trata de uma criança, que atrai atenção e carinho, um idoso acaba por passar despercebido na sociedade. Com décadas e décadas de vida, ele tem muitas histórias para contar, conselhos sábios para transmitir e muito amor para dar.
Neste sentido, nesta época em que tanto de fala de amor e solidariedade, valores que deveriam durar todo o ano, porque não fazer uma visita aquele vizinho ou amigo que está sozinho, em casa, num hospital ou num lar e dessa forma levar muita alegria e preencher o vazio que a família deixou?!

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