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HÁ PALAVRAS QUE DOEM

MÁRCIA PINTO
Quando falamos em violência, associamos logo a agressões físicas, mas não é preciso ser agredida fisicamente para estar numa relação violenta.
Deste modo, algumas palavras e atitudes podem magoar ainda mais a autoestima de uma mulher do que a agressão propriamente dita.
E isso tem nome: violência psicológica. Esta é a forma mais subjetiva e, por isso, difícil de identificar.
Numa discussão entre um casal, o agressor normalmente usa essa tática para fazer com que a parceira se sinta humilhada e insegura, sem hipótese de reagir e assim, o respeito deixa de existir.
Neste sentido, esse tipo de violência normalmente antecede a agressão física que, uma vez praticada e tolerada, pode se tornar constante. Na maioria das vezes, o receio de assumir que o casamento ou o namoro não está a funcionar ainda é um motivo que leva mulheres a submeter-se à violência – entre todos os tipos e não apenas a psicológica.
A violência psicológica acontece quando o parceiro…
· Quer determinar a forma como ela se veste, pensa, come ou se expressa.
· Critica qualquer coisa que ela faça.
· Desvaloriza as relações afetivas dela, sejam amigos ou familiares.
· Atribui-lhe nomes com conotações negativas.
· Expõe-na a situações humilhantes em público.
· Critica o corpo da companheira de forma ofensiva, e considera isso como uma “brincadeira”.
Especialistas apontam que, apesar de não deixar marcas físicas evidentes, a violência psicológica é também uma grave violação dos direitos humanos das mulheres, que produz reflexos diretos na sua saúde mental e física. 
Contudo, raramente a vítima procura ajuda externa nos casos de violência psicológica. A mulher teima em aceitar e justificar as atitudes do agressor, sofrendo em silêncio, até que uma situação de violência física, muitas vezes grave, ocorra levando em alguns casos á morte.
Em alguns casos, uma pessoa que foi criada num ambiente emocionalmente violento pode também desenvolver um comportamento violento.
Desta forma, pode não reconhecer o abuso que sofreu e confundir a necessidade que sente de controlar com cuidado, assumindo a sua atitude dominadora ou invasiva como adequada, necessária ou até como uma demonstração de afeto.
Assim, pessoas que sofrem violência psicológica também se podem tornar violentas ou afastarem-se da convivência social como uma meio de fuga. É importante que familiares e amigos estejam atentos aos sinais para que desse modo possam ajudar atempadamente alguém que possa estar a passar por uma situação semelhante.

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