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O LOUCO ANO DE 2016. LIVRA!

ANABELA BORGES
Nem sempre nos poemos “dar ao luxo” de viver um ano tão invulgar como foi o findo 2016.
Por vezes, há anos assim, atípicos, de acontecimentos anormalmente excepcionais. Habitualmente são conjuntos de anos; por vezes, décadas, os anos somados uns aos outros. E por isso é costume usar-se a expressão “os loucos anos 80…/90…”. Mas um ano que, sozinho, foi tão singular como o de 2016, creio que será difícil de bater.
O ano de 2016 ficará certamente para a História, com coisas boas e más, como acontece com qualquer ano, sendo que neste avultam principalmente as más e as anomalias, a sobrecarregar a balança, a fazê-la pender o prato do peso muito para baixo, quase a tocar o chão.
Todos os dias, sem excepção, nasce gente e morre gente. Isso é inevitável na roda do tempo. O Homem também, e infelizmente, ainda não encontrou forma de evitar acontecimentos de dimensões catastróficas ocorridos por causas naturais. E ao que parece, não deixando margem para dúvidas, não está predisposto a abandonar a urdidura de outras tantas catástrofes tecidas por suas próprias mãos. 
Pois em 2016, a raça humana demonstrou bem como isto de pertencer à sua condição anda desprovido e esgotado de tudo – de paciência, de ciência, de juízo, de bom-senso, de legalidade, de igualdade, de justiça… Enfim, poderíamos estar aqui a enumerar, num quase sem-fim.
Quando os mais pessimistas dizem “isto anda tudo avariado; o mundo está virado de pernas para o ar; anda tudo ao contrário”, eles não deixam de ter razão no que toca ao ano de 2016.
Eu ouvi e vi, vejo e revejo, e não paro de me surpreender.
O mundo da música ficou, seguramente, mais pobre, com o desaparecimento de quatro inquestionáveis estrelas: David Bowie, Prince, Leonard Cohen e George Michael. Ainda há pouco referi essa inevitabilidade da vida, que é a morte, mas o facto de se tratar de quatro músicos bastante influentes marcou, forçosamente, o ano.
Bom, mas isso não podemos controlar, por isso vamos a outros factos. Vamos ao que podemos controlar, ao que depende inteiramente de nós, da nossa vontade, da nossa decisão, mas que, por qualquer ordem de estupidez humana, qualquer desregulação, desperdício, fizemos – de extravagância, umas vezes, de loucura, outras; e outras ainda da pior maneira possível.
Bob Dylan foi agraciado com o Prémio Nobel da Literatura. Gerou polémica, controvérsia. Foi a loucura, entre o aplauso e o espanto. Foi a loucura, não apenas por se tratar de uma atribuição inesperada ao músico-cantor-compositor-escritor pouco explorado nas lides literárias, mas também por todo o insólito da situação, ou deverei dizer “situações” que se seguiram: Bob Dylan demorou vários dias a tomar, oficialmente, conhecimento do prémio. Quase parecia que não queria receber as 8 milhões de coroas suecas! Posteriormente, faltou à entrega do galardão, enviado uma “comissária” em seu nome e um discurso, informando, como desculpa, que tinha “outros compromissos”. Extravagâncias. E não são para qualquer um!
Falando em extravagâncias, Bono Vox foi eleito “mulher do ano” pela revista norte-americana Glamour. A justificação dada foi a dedicação do vocalista dos U2 a trabalhos humanitários em prol da igualdade de género. E Bono tornou-se, assim, no único homem a figurar na lista de Mulheres do Ano, promovida pela dita revista. Insólito. Loucura. Dislate. Falta de imaginação. Mau gosto. Então não há mulheres no mundo dignas do título?
Por falar em mau gosto (mas por motivos bem diferentes) e por falar em títulos ou distinções, depois de ter sido eleito Presidente dos Estados Unidos da América (senhores! Já lá vamos) Donald Trump foi distinguido como personalidade de 2016 pela revista norte-americana “Time”. Oh, deuses, todos os santinhos, beatos, e já agora, todos os diabinhos nos acudam. Onde iremos parar?
Pois foi. Não queríamos acreditar, mas foi. Donald Trump foi eleito o 45.º Presidente dos Estados Unidos da América, sucedendo a Barack Obama. Contrariando todas as sondagens, Trump venceu e o mundo reagiu. O candidato que prometeu construir um muro na fronteira com o México, o homem que foi acusado de racismo e misoginia, vai liderar os destinos da maior potência mundial. O que vai ser?
Por sua vez, a União Europeia há muito deixou de ser o sonho prometido, e as provas disso vão sendo cada vez mais evidentes, viragem após viragem. O reino de sua majestade Rainha Isabel II decidiu em referendo, por mais de 1,2 milhão de votos de diferença, deixar a União Europeia. O famoso Brexit deixou a Europa boquiaberta. O Reino Unido foi o primeiro país a sair da UE e resultou, como consequência imediata, na renúncia do primeiro-ministro David Cameron do cargo. Esta é, sem dúvida, uma decisão de grandes proporções para aquele país, para a Europa e para o mundo, estando nós, cidadãos do mundo, a viver, com expectativa, as consequências próximas, a curto e a longo prazo.
O mundo dá muitas voltas. Pois dá. E este 2016 devia estar embruxado, porque meteu-se de fuminhos misteriosos e insondáveis.
Continuaram a disseminar-se atentados terroristas, uns atrás de outros. E a guerra atingiu os limites misérrimos da crueldade humana, a maldita guerra.
Isto seriam acontecimentos uns atrás de outros, a enumerar, como já referi, num quase sem-fim.
O ano de 2016 foi imbatível em acontecimentos insólitos, doudos, completamente marados, passados dos carretos. Foi um ano sem piedade de nós. Oh, tristes, quem nos abandonou? O que vai ser?
Como será o mundo daqui para a frente? Seguramente – reformulo – inseguramente um lugar diferente.

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