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DIFÍCIL NÃO É APRENDER, DIFÍCIL É ENSINAR!

ALINA SOUSA VAZ
A versatilidade é algo que aplaudo de pé no ser humano e a sua adaptabilidade ao contexto que lhe é apresentado, de forma inesperada, faz de si uma mais valia para a produtividade de uma empresa, de uma instituição e por conseguinte do progresso de uma nação. 
É baseada nesta adaptabilidade que me vou formando enquanto profissional ligada ao ensino. Confesso que o ensino superior me apraz no sentido da investigação que lhe está inerente, contudo as experiências no ensino secundário dão-me uma visão de como os alunos estão a ser preparados e a forma como chegam até ao ensino superior. 
O ano letivo 2016/2017 trouxe-me mais uma bela experiência, a qual concilio com outras duas que já desempenhava. Acreditando que seria possível conciliar a vida profissional e familiar, lá ando eu numa roda vida constante tentando em todas elas deixar um pouco de mim. 
Não é fácil, mas é possível! 
“Deixar um pouco de mim”?!!!, dirão vocês. A pergunta sempre de mãos dadas com a admiração é constante, cada vez que me expresso oralmente sobre este assunto. Passo a explicar: as turmas com que trabalho são consideradas difíceis, pois a intranquilidade dos alunos não permite a boa prática das aprendizagens. As queixas são constantes…e não as elenco aqui, porque não me interessa esmiuçar o menos bom, mas, sim, o melhor que estes alunos me permitem aprender com eles. 
Quando deixo um pouco de mim, os olhos arregalam-se ávidos de ouvirem histórias semelhantes às suas, o silêncio aparece como se tivesse vergonha e aos poucos as mentes abrem-se a vinte minutos de novos conceitos.
Quando deixo um pouco de mim, soam as dificuldades que tenho em deixar a minha cidade, o tempo que perco no percurso e o dinheiro que gasto na deslocação; o silêncio abraça a solidariedade e as atividades do programa realizam-se.
Quando deixo um pouco de mim, eles sonham a meu lado! Os corações palpitam e anseiam por conquistas e ainda que restem sempre muitas dúvidas o deleite do sonho fá-los sorrir relaxados; as leituras, outrora iniciadas aos arranques com bocejos mal dispostos, sugam as palavras difíceis e expressam comentários e reflexões.
Quando deixo um pouco de mim….
Quando deixo um pouco de mim, sinto que tudo pode acontecer! 
Por isso, afirmo que, se estabelecermos metas adequadas a cada aluno, é fácil aprender. Não podemos é querer que vinte e seis alunos tenham, numa mesma sala, o mesmo índice de conhecimentos e comportamentos, como se todos quisessem trabalhar para entrar em cursos de medicina, aeronáutica ou física. 
Logo, difícil é ensinar alunos do século XXI que têm professores do século XX, com propostas teóricas do século XIX, da Revolução Industrial. As políticas públicas têm sido calamitosas, porque é urgente que as escolas sejam geridas por pedagogos que permitam aos alunos com objetivos diferentes realizarem o seu percurso escolar aproveitando, muitas vezes, as suas aptidões naturais. Reprovar alunos que não aprenderam conteúdos que no futuro de pouco ou nada lhes servirá é condená-los. As aulas de apoio, os planos de recuperação são um adorno que não resulta; aquilo que não se ensina em um ano letivo, não se ensina num mês de apoio. Horas a mais não é solução! 90 minutos em contexto de sala de aula é penoso. Como José Pacheco (2016), mestre em educação da criança pela universidade do Porto, defende: «aprendizagem acontece quando há um vínculo afetivo entre quem supostamente ensina e quem supostamente aprende».
Quando deixo um pouco de mim…sinto que tudo pode acontecer!

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