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AS ENTERNECEDORAS REDES SOCIAIS

LUÍS ARAÚJO
As redes sociais são das coisas mais enternecedoras que há, porque quando pensamos que o que está ali é uma amálgama de bites e bytes, subitamente apercebemo-nos que estamos na presença de algo com emoções, não fossem burras como penedos e até me fariam verter uma lágrima aqui e ali. Um ou outro cibernauta mais distraído pode ainda não se ter apercebido disto, mas é frequente sabermos que as redes sociais se emocionaram com aquele vídeo do panda num zoológico qualquer de um pais de leste (as redes sociais são muito sensíveis a animaizinhos enclausurados), ou que se chocaram com a ultima revelação feita por um concorrente de um reality show. Ora, eu com estes sentimentos todos das redes sociais apercebo-me que sou um bruto insensível, pois animais em zoológicos não me emocionam e a única revelação de um concorrente de um reality show que me chocaria seria ouvi-lo recitar o abecedário completo. Mas nestes dias apenas se fala em duas coisas, o Trump e a Tesla, dois assuntos do mais aborrecido que há. Falar do nóvel presidente dos Estados Unidos tem o mesmo interesse que falar do ultimo reality show da Teresa Guilherme, depois dos 64 anteriores já está tudo dito, sobre o homem da peculiar cabeleira loura, que por acaso até já foi a Teresa Guilherme da televisão americana, já estão também esgotados todos os insultos possíveis e imaginários que a língua inglesa permite, o que até nem terá sido nada difícil atendendo à vacuidade das ideias apresentadas. Falar de Trump não é só aborrecido, é penoso, e limitativo, pois só existem dois tipos de pessoas, as civilizadas, que andam revoltadas com tudo o que o homem diz e faz e as atrasadas, que andam excitadas com tudo o que o homem diz e faz. Dialogar com as primeiras é como coçar uma ferida, dialogar com as segundas é como saltar da frigideira para o lume, quando achamos que já batemos no fundo, aparece alguém que está a escavar no lodo. Surpreendente seria encontrar um apoiante de Trump que tivesse completado a instrução primária a saber a tabuada e conseguisse escrever duas linhas completas sem dar erros gramaticais, mas parece-me que é mais fácil acertar no euromilhões 6 semanas consecutivas. Quanto à Tesla, ora é a instalação da fábrica em Portugal, ora é o inicio de comercialização dos potentes carros elétricos em território nacional que ocupam o tempo das redes sociais. Ora, falar da Tesla é quase tão aborrecido como conduzir os seus próprios carros, pois apesar da grande excitação das redes sociais, não passam de carros elétricos que se conduzem sozinhos, uma coisa tão emocionante como comer uma francesinha vegetariana com cerveja sem álcool. Claro que ao pôr toda a gente a comprar carros elétricos vai acabar por criar um muro entre o resto do mundo e os países árabes – que dentro de poucas décadas terá que beber petróleo e comer areia – e a instalação de uma qualquer industria em território nacional será sempre benéfico para a nossa depauperada economia, mas isso não impede que a Tesla seja o bocejo do mundo automóvel. De repente fiquei com saudades de vídeos de pandas em jardins zoológicos

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