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POSSO MEDIR A TENSÃO?

VERA PINTO
O contributo da medida da pressão arterial na avaliação do utente, aliado ao facto de se tratar de um parâmetro de fácil determinação e realização – rápido e indolor- faz com que este se torne imprescindível em uma qualquer consulta de rotina ou numa das idas à farmácia. Richard Bright que estudou as consequências da hipertensão em autópsias, corria o ano 1820 estava longe de imaginar o valor incalculável que as suas descobertas forneceram para o conhecimento que se tem hoje.
A pressão arterial – ou tensão, como é mais conhecida – é a força que o sangue em circulação exerce nas paredes arteriais. As artérias do corpo humano são como canos que transportam o sangue do coração para o resto do corpo. Em condições normais, o coração bombeia o sangue com frequência de 60 a 80 batimentos por minuto, de forma que o oxigénio e os nutrientes necessários ao normal funcionamento do nosso organismo sejam distribuídos a todas as células do corpo humano. A pressão arterial é mais elevada quando o coração bombeia o sangue e diminui quando o coração relaxa entre batimentos. Assim se aplica a existência de um valor mínimo e de um valor máximo. Durante o dia, a pressão arterial sofre variações que podem ser consideradas normais, uma vez que permitem a adaptação do organismo a situações externas, como o exercício e o repouso. O controlo da pressão arterial depende de um mecanismo complexo, que inclui a regulação pelo sistema nervoso, coração, vasos sanguíneos, rins e o sistema imunitário, tal como apontam os estudos mais recentes. A Hipertensão arterial é a elevação da pressão arterial acima dos valores considerados normais. É natural e normal que a pressão arterial aumente em alguns momentos, devido a esforços físicos ou emoções. Também é natural que passados estes momentos críticos, os valores da pressão arterial voltem aos níveis normais. Uma pessoa só desenvolve problemas de saúde relacionados com a pressão arterial quando ela permanece elevada ao longo de meses, ou quando aumenta muito subitamente. Os valores elevados de pressão arterial normalmente não se sentem, por isso é muitas vezes considerada uma doença silenciosa. No entanto, a hipertensão arterial se não for tratada, pode levar ao aparecimento de doenças graves, como acidente vascular cerebral (AVC), enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca e angina de peito. Uma pessoa saudável, com mais de 18 anos, deve medir a pressão arterial, pelo menos, uma vez por ano. Já uma pessoa considerada de risco como fumadores, diabéticos, obesos ou com antecedentes familiares de doença cardiovascular deve medir com mais frequência, sendo esta adaptada caso a caso. De acordo com os dados de um estudo epidemiológico realizado em Portugal, estima-se que existam cerca de 3 milhões de hipertensos, o que corresponde a 42,1% da população adulta. Segundo os investigadores, apenas 39% dos hipertensos está medicado com fármacos anti hipertensores, em grande parte por desconhecimento da doença, o que faz com que apenas 11,2% dos doentes tenham a sua pressão arterial controlada. 
Os medicamentos anti-hipertensores são medicamentos que baixam a tensão arterial para valores recomendados. Existem vários medicamentos, que actuam de diferentes formas (por exemplo, eliminando o excesso de sal e água ou tornando as veias e artérias mais largas) e podem ser tomados isoladamente ou em conjunto. A medicação deve ser sempre tomada, visto que estes medicamentos não curam a hipertensão arterial. Se os deixar de tomar os valores sobem e há risco de vir a ter um AVC ou enfarte do miocárdio. Tão importante como o diagnóstico da hipertensão é o seu correto tratamento, por isso vigie e controle a pressão arterial.

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