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SOBRE O PENSAMENTO

A vida não é longa nem curta, 

é a utilidade que lhe dá o tempo 

no ritmo do pensamento,

no compasso do coração, 

haja dor ou amor que a furta.
MANUELA VIEIRA DA SILVA
«É um defeito bastante comum, entre os homens, julgar de forma imprudente as acções e as intenções dos outros. E nele se cai, apenas, devido a um mau raciocínio, pelo qual, por não se conhecer de modo suficientemente distinto todas as causas que podem produzir um qualquer efeito, se atribui tal efeito precisamente a uma causa, quando pode, muito bem, ter sido causado por muitas outras (…)» (Aristóteles, «A Lógica ou A arte de Pensar»).
Este texto de Aristóteles, escrito há 18 séculos, em que enumera e define as boas regras de um bom raciocínio, parece ter sido usado apenas para filósofos e eruditos, aqueles que detiveram, ao longo do tempo, o domínio da escrita e da leitura. O povo não foi beneficiado, para que se mantivesse na ignorância, e, assim, obedecer cegamente aos vários tipos de poder. 
Com a Revolução Industrial e a respectiva ascensão de uma nova burguesia com poder económico, o ensino alargou-se, abrindo uma brecha para uma nova sociedade, a chamada Sociedade Moderna. 
Em Portugal, 90 por cento dos portugueses eram analfabetos nos anos 60 do século XX, embora já fosse obrigatório o ensino até ao 4.º ano. Passados mais de 40 anos do 25 de Abril de 1974, só recentemente passou a ser obrigatório o 12.º ano. 
Como podemos saber raciocinar se não possuirmos o conhecimento e a capacidade de análise? 
Todos os seres humanos possuem pensamento, uma área cerebral própria munida de ferramentas para raciocinar. Mas o cérebro só funciona com o que traz na sua genética, o restante é formado pelas aprendizagens e leituras, em suma, pelo que vai adquirindo e assimilando ao longo da vida do indivíduo. Ou seja, o cérebro é formatado pelo indivíduo que o possui, e é ele, indivíduo, o responsável pelo que nele próprio «deposita». 
Ora, a vida dos indivíduos, no geral, e de cada um em particular, nos nossos dias, gira à volta dos bens materiais, influenciados pela publicidade, pelos medias (que informam de modo filtrado), filmes (que, normalmente, integram violência, sexo ou emoções fortes), telenovelas (com cenas de intriga, inveja, ciúme, violência, arrogância e outras). 
Penso que não estamos no trajecto da construção de mentes sãs, nem a formar cérebros que saibam pensar com o conhecimento necessário a julgar a si próprios e muito menos os outros. 
Numa próxima crónica darei continuidade a este tema, para que esta não seja demasiado longa.
    

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