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PORQUE PREDISPUS-ME A SER A SUA VOZ

ELISABETE SALRETA
Outro dia, num grupo de uma rede social, li uns comentários que me puseram a pensar.
O facto relatado visava um galo que começou a virar-se contra o dono e este perguntava o que fazer. Haviam vozes a favor do pobre, pois não tem escolha. Haviam vozes que fizeram-me viajar a uma qualquer vila da idade média. Pensava eu que estávamos em 2017, mas pelos vistos, existe muita gente que deve dar em 100 A.C., na melhor das hipóteses.
Das vozes favoráveis ao animal, falava-se do comportamento deste ter a sua razão de ser devido ao facto de nesta altura haver mais posturas e, num estado natural, mais ninhos a proteger para a próxima geração.
Depois, depois vinham as vozes discordantes em que o melhor que lhe desejaram, e volto a frisar o animal não tem escolha, seria o tacho.
O animal não tem escolha, quer seja porque não lhe é permitido, seja porque a sua natureza impele-o a comportar-se nesta época, de uma certa forma, mais protectora. Passa-se com todos os animais em estado natural. A primavera está quase a espreitar e com ela vêm os filhotes que o macho tem de proteger. O dono é visto como um inimigo pois vai recolher os ovos, que visam a nova geração. Acerca-se das galinhas. Se calhar até lhes toca. O pobre tem de as defender. Não sabe muito bem do que as defende, mas a sua natureza faz com que tenha esse comportamento.
Envergonhei-me ao ler o que li. Tão baixo chega a nossa espécie que tão pouco solidária e condescendente é com o que vai além do seu umbigo. Fazemos parte deste mundo, não somos o seu centro.
Envergonho-me por não poder fazer nada pelo infeliz.
Os conselhos passavam por cortar-lhe as asas (pressuponho que sejam só as guias), dar-lhe com um pau no pescoço ou no “lombo” (lembro que é na parte de cima, carcaça, que ficam os rins do animal, pulmões, etc.), e até queimar-lhe o bico com um isqueiro. Com a devida ressalva de não lhe queimar a língua.
O que terá acontecido ao pobre, não quero imaginar. Desejo intimamente que o mais que lhe tenha acontecido foi ir direito ao tacho, porque de tudo o que lhe desejaram era deveras o melhor.
E lembrei-me de todos os animais que servem para a alimentação humana em que nas suas pequenas e curtas vidas, vivem num sofrimento atroz e sem condições a que se chame vida.
Dá que pensar, não?

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