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UMA BREVE HISTÓRIA DA MÚSICA III

PAULO SANTOS SILVA
O período renascentista é caracterizado pela mudança de pensamento do Homem perante o mundo. Sabe-se desde logo que esta mudança vai também influenciar a arte. O homem do Renascimento já não vive apenas dominado pelos valores da Igreja, agora encontra valores nele próprio e na natureza. A Igreja também se tornou menos rígida e permitiu uma troca maior entre a música sacra e a música profana. É nesta altura também que os donos das cortes e homens ricos concedem oportunidades de trabalho aos compositores e aos músicos, promovendo festas, audições e acontecimentos culturais. Neste período, as obras musicais que se desenvolvem são essencialmente vocais, ou melhor, a música vocal polifónica é a composição mais comum.
A música vocal polifónica é uma composição vocal com diferentes vozes que cantam em simultâneo, na qual cada uma delas canta uma melodia diferente das restantes. As formas vocais mais importantes deste período são os madrigais, a missa, e o motete.
Assim, os Madrigais são uma composição coral elaborada (de origem italiana) que, com base num pequeno poema, podia ser acompanhada por diversos instrumentos. Geralmente era tocado nas reuniões sociais palacianas e em espetáculos teatrais.
A Missa era uma composição e interpretação vocal de carácter religioso que podia ser acompanhada pelos instrumentos musicais da época. 
O Motete é um gênero musical polifónico, cujo nome deriva do termo mot, que significa palavra em francês. No Motete cada voz canta um texto diferente. Esta forma, teve origem na França dentro de suas igrejas, destinado, portanto, exclusivamente ao serviço religioso. Naquele período, os hinos litúrgicos eram cantados em Latim utilizando apenas uma voz (voz conhecida por tenor ou a voz que canta – o cantus firmus ou cantochão). Posteriormente, uma segunda voz, ainda sem texto, foi adicionada acima da voz do cantus firmus. A esta segunda voz deu-se o nome de duplum. É um género vocal que recorre à técnica da imitação (essencialmente no séc. XVI), ou seja, as vozes imitam-se entre si. Os grandes mestres desta forma foram Leónin e o seu discípulo Pérotin. Léonin ou Leoninus (Paris, c. 1150 – 1201) foi um compositor francês que fez parte da Escola de Notre-Dame. Mestre-Capela da igreja da Bienheureuse-Vierge-Marie (que em breve, viria a ser a catedral de Notre-Dame) e primeiro grande representante da Escola de Notre-Dame, era considerado o melhor compositor de órganons do seu tempo, muito embora não haja registo de qualquer documento que permita escrever a sua biografia, nem de qualquer manuscrito cuja autoria lhe possa ser atribuída com certeza. A paternidade do Magnus Liber Organi (que lhe é atribuído por um autor inglês do século XIII) é, ainda hoje, discutida; por outro lado, essa obra só é conhecida sob a forma de cópias um pouco mais tardias. Magnus liber organi de gradali et antiphonarii pro servitio divino multiplicando (c.1160-1180) foi revisto e completado pelo seu discípulo e sucessor, Pérotin. Compreendia mais de 80 órganons a 2 vozes. Certamente já se apercebeu, que o que era para ser uma trilogia, não vai terminar aqui. A História da Música é tão rica e tem tantas inflexões interessantes, que me pareceu que seria óbvio dividi-la em mais partes. Assim, enquanto aguarda pela próxima crónica para saber o que se passou no período Barroco, deixo-lhe como sugestão de audição um dos temas que se atribui a autoria a Léonin – Viderunt Omnes.

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