BIRD Magazine

CAOQUISTA

ANA SILVA
Desde que me lembro de ser gente, lembro me de ter medo de cães! Desde pequena que fugia apavorada sempre que avistava um patudo! Magoava os braços dos primos e amigos que me acompanham porque apertava com medo, quando não conseguia evitar a sua presença perto de mim.. Era um medo irracional! O único cão que se chegava mais perto era a cadelinha de uma tia, mas se bem me lembro nunca lhe fiz um carinho, apenas tolerava a sua presença. A minha avó tinha gatos e mesmo gatos nem vê-los!! Nunca toquei, basicamente tinha medo de tudo o que mexia! Entretanto fui para a faculdade com o pavor à bicharada como companhia.. Uma das minhas colegas de casa decidiu adotar um patudo e veio falar comigo. Disse que sim porque já noutra casa onde morei havia um piolho elétrico que eu consegui tolerar, passando a maior parte do tempo fechada no quarto. Só lhe pedi : “Por favor muito pequenino!” (Na minha cabeça seria mais fácil de ignorar!) Ora apareceu me com um patudo bebé que se vislumbrava vir a ser um cão de porte médio grande! O tempo foi passando e eu habituei me! Conquistou me e ao fim de pouco tempo não era da minha amiga, mas sim meu.. O Junks entrou em casa e invadiu o meu coração! Para meu absoluto espanto trouxe com ele todos os cães do mundo! Passei a amar todos! Eu que antes evitava cruzar me com cães na rua, agora atravesso a estrada para ir ao seu encontro.. Continuo a ter medo? Não sei se é medo, mas respeito o seu passado e compreendo que não queiram que um perfeito estranho invada o seu espaço. Tento entender primeiro se querem a minha companhia, ou um mimo ou comida, mas não passo sem tentar, como se de seres invisíveis se tratassem.
Numa destas tentativas ia levando uma mordida por deitar mais comida a um cão de rua que estava já a comer o que lhe tinha dado anteriormente! Pensou que em vez de colocar ia retirar aquela e avisou me, com os dentes, que não o fizesse.. E eu pensei cá para mim.. Ana desde quando é que estás tão à vontade para achares que podes mexer no bicho quando está a comer? Não é o teu Junkas!
 BAMBI

Passar a amar todos os cães deu-me muitas coisas boas.. Uma paz e segurança que eu não tinha quando andava a pé na rua.. Duas companhias para a vida, o meu Junkas e a minha Bambi, sim, quem diria, tenho uma gata! Mas também trouxe um inconveniente muito grande.. Não conseguir ficar indiferente, não conseguir passar por um animal triste e sozinho, doente e abandonado e simplesmente seguir caminho.. Quando o fazia era uma dor no peito enorme, era sentir aquele animal morder me o peito, dia e noite, numa dor constante. Todos estes acontecimentos e mudanças na minha vida me aproximaram do grupo de Ajuda Animais em Gondar, que agora é a Associação Ajuda Animais em Amarante. O motivo da minha aproximação neste grupo foi egoísta, simplesmente precisava de conseguir fazer alguma coisa pelos animais que via, para não sentir a dor constante no peito.. Já chorei mais desde que entrei neste grupo
do que em toda a minha vida! Choro às vezes de tristeza e outras de alegria, e acreditem, nunca fui de chorar à toa! Até posso dizer que choro mais facilmente de alegria, quando a emoção é tanta que já não cabe no peito! 

 JUNKS

Até agora cá estou, cá continuo num projeto que me envolveu de corpo e alma! Não me considero uma maluquinha dos animais, como costumo dizer.. Sou uma apaixonada pelos bichos, mas entendo quem tem medo, quem não se quer aproximar, quem não quer sequer ouvir falar nos bichos.. Mas fui conquistada e a todas as pessoas que não gostam e que têm medo, peço que dêem uma oportunidade! Sabe se lá se, tal como eu, não passam a amar todos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.