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ENVELHECIMENTO ACTIVO E O EXERCÍCIO FÍSICO

GABRIELA CARVALHO
Nas crónicas 06.01.2017 e 03.02.2017 abordei o tema do ENVELHECIMENTO ACTIVO.
Na crónica de hoje darei continuidade ao tema, especificando uma das áreas: O EXERCÍCIO FÍSICO.
Não é de todo minha intenção falar da área do desporto ou da prática de uma actividade física desportiva, porque não é a minha área profissional. O que eu pretendo é associar o exercício com as actividades de vida diária, justificando a sua importância para um envelhecimento activo.
Todos os estudos realizados sobre o envelhecimento com qualidade e activo apontam para a prática de actividade física como um dos factores fundamentais.
A prática de actividade física além de estar directamente relacionada com o envelhecimento saudável é a chave da inactividade que por sua vez é a responsável por muitas patologias. Por isso, um dos grandes benefícios da actividade física, como escreve a Dra. Lia Araújo no Manual de Envelhecimento Activo, é “o evitar dos efeitos da inactividade em si”.
A inactividade além de afectar a pessoa a nível motor interfere com outras áreas significativas, nomeadamente a cognição e a socialização. Ao reduzir a prática de actividade física, a pessoa passa a relacionar-se menos e a comunicar menos, o que afecta a socialização; e por consequência começa a sentir menos vontade de estar actualizada e de trocar informações e opiniões com outras pessoas, afectando desta forma as suas competências cognitivas.
O exercícios físico regular potencializa assim várias áreas:
– Fisiológica: por exemplo, aumenta a quantidade de endomorfinas circulantes (o que provoca um estado de bem-estar no final da actividade);
– Psicológica: por exemplo, aumento do sentimento de auto-estima e bem-estar geral e melhora o humor e reduz o risco de depressão;
– Social: por exemplo, promove as relações sociais e a comunicação e aproxima as pessoas ao meio envolvente.
Como Terapeuta Ocupacional, ao falar de actividade física, refiro-me às actividades do dia-a-dia. Isto é, praticar uma actividade física do meu ponto de vista, começa por se adoptar um comportamento mais activo nas tarefas do dia-a-da. Ou seja:
– Em percursos de curtas distâncias optar por caminhar ou andar de bicicleta, ao invés de ir de carro;
– Nos percursos mais longos, levar o carro até um determinado local e depois ir a pé, isto é, “não estacionar à porta”;
– Optar pelas escadas ao elevador;
– Se utilizar o autocarro sair na paragem anterior à pretendida e fazer o resto do caminho a pé;
– Passear o cão;
– Lavar o carro;
– Fazer jardinagem;
– …
Recordando a crónica de 03.02:
“Assim, é importante existir a consciência de que uma pessoa idosa com uma doença crónica pode ser considerada saudável quando comparado com outra pessoa idosa com a mesma doença mas sem controlo desta e com sequelas incapacitantes associadas. Sendo assim, o importante é a capacidade para desempenhar as actividades e não as doenças propriamente ditas” (Alves, Leite & Machado, 2008).
Ou seja, a prática de actividades físicas para a promoção de um envelhecimento activo também é possível nas pessoas com incapacidade. O importante é que a pessoa com a incapacidade seja capaz de seleccionar as actividades que consegue realizar e fazê-las no seu dia-a-dia de forma mais activa possível.
Por exemplo, uma pessoa que se desloca em cadeira de rodas, mas que não apresenta limitações no movimento activo dos membros superiores, obviamente que terá que utilizar o elevador a invés das escadas. Mas depois de sair de casa, deve deslocar-se o maior tempo possível conduzindo a sua própria cadeira de rodas, isto é, sem que seja conduzido por terceiros. Pode ainda ir passear o seu cão enquanto conduz a sua cadeira de rodas e levar um brinquedo para poder interagir com o seu animal e ao mesmo tempo fazer diferentes movimentos com os membros superiores.
Este é apenas um pequeno exemplo, para que se entenda que o ENVELHECIMENTO ACTIVO NÃO É APENAS REPORTADO ÀS PESSOAS IDOSAS E INDEPENDENTES.
Assim, para se tornar mais activo no seu quotidiano não é necessário realizar profundas alterações na sua vida. É suficiente realizar as actividades que sempre realizou ou com mais frequência ou com alternativas como as sugeridas.
“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional proporciona vida aos anos.”
Referências Bibliográficas:

– Organização Mundial de Saúde (2005). Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde.

– Ribeiro, O., C. Paúl (2011). Manual de Envelhecimento Activo. Lisboa, Lidel – edições técnicas, lda.

– Torres, M. & Marques, E. (2008). Envelhecimento activo: um olhar multidimensional sobre a promoção da saúde. Estudo de caso em Viana do Castelo. Lisboa: VI Congresso Português de Sociologia.

– Vasconcelos, K. R. B. d., Lima, N. A. d., & Costa, K. S. (2007). O envelhecimento ativo na visão d

e participantes de um grupo de terceira idade. Fragmentos de cultura, 17, 439-453.

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