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ENVELHECER: QUANDO? AGORA?

GABRIELA CARVALHO
Nesta crónica escrevo-vos sobre uma experiência de “hoje”, uma conversa com um dos meus “utentes” que me fez reflectir, mais uma vez, sobre como é que EU quero ENVELHECER… Sou uma felizarda por poder, diariamente, contactar com uma população que me enriquece de histórias e de vivências e me permite desde muito cedo, pensar e repensar o que quero para aquilo que chamamos de “ser velho” / “velhice”.
«Envelhecer acontece desde que nascemos, apesar das pessoas dizerem que primeiro “crescemos” e depois “envelhecemos”», diz-me “Ele” num tom de voz forte.
É uma frase simples, mas que muda significativamente o curso da nossa vida. Isto é, se considerarmos que efectivamente primeiro crescemos e depois envelhecemos, talvez quando formos preparar este “envelhecimento” o tempo urja e não seja tão fácil vivenciá-lo.
Em contrapartida, se tivermos consciência que desde que nascemos iniciamos o longo processo de envelhecer, a forma como nos preparamos e o vivenciamos torna-se necessariamente diferente.
Neste aspecto “estávamos de acordo” e para nós pareceu-nos fácil de entender! Ambos em idades muito diferentes…
«E a reforma? Essa é que trás mudanças… muitas mudanças…!» e respirou profundamente! Sobre essa experiência, particularmente não posso falar… disse-lhe eu. Mas sabe, quando estive 3 meses em casa por motivos de saúde, senti a “dificuldade” de “não estar no activo”. Não demorou a responder-me. «E sabe porquê? Sabe? Porque foi apanhada de surpresa, porque não se preparou… acontece a muitos, não se prepararem para a reforma!» Comparação talvez exagera temporalmente, mas com algum sentido!!!
De facto, o envelhecimento assume um papel mais significativo quando a pessoa transita para a reforma. Existem muitas alterações associadas a este processo, sendo exemplo a perda ou alteração de papéis sociais, como o de trabalhador para o de reformado. E a palavra “reformado” assume sempre uma conotação menos positiva, particularmente quando este novo estatuto se concretiza de forma passiva.
Assim, muitas vezes vemos pessoas singulares e/ou casais cujo papel de reformado lhes permite vivenciar toda uma panóplia de experiências que os seus empregos lhe limitavam: passear mais, conhecer outras realidades, estar mais tempo com a família e os amigos… No entanto, existe o outro grupo, cuja reforma trás uma perda de contactos sociais significativos e condu-los para o isolamento, para o sentimento de vazio e até de inutilidade.
Em que grupo me posicionarei?

Foram cerca de 15 minutos de conversa, mas daquelas que me encheu a alma e me permitiu mais uma vez sentir-me uma felizarda por poder, diariamente, contactar com uma população que me enriquece de histórias e de vivências e me permite desde muito cedo, pensar e repensar o que quero para aquilo que chamamos de “ser velho” / “velhice”.

“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional proporciona vida aos anos.”

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