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ERROS DE PERCEPÇÃO

MOREIRA DA SILVA
Na comunicação política está muito em voga a utilização de vocábulos que originam diferentes interpretações, consoante as necessidades de poderem afirmar, mais tarde, que se disse o contrário daquilo que se entendeu, como é o caso da decisão irrevogável que vem a ser revogável ou do erro de percepção quando se diz que o acordo é um não acordo. Há infindáveis exemplos deste tipo de malabarismo comunicacional.
Quando a Presidente do Conselho das Finanças Públicas é acusada de ter afirmado que os 2,1% do défice no ano passado foi, em certa medida, um «milagre», o que aconteceu foi um erro de percepção, pois o que quis dizer é que duvida da sustentabilidade das medidas governamentais e que é preciso uma nova política económica menos dependente da despesa pública e dos humores da política europeia.
Quando o dirigente máximo da federação dos sindicatos dos professores deixa de aparecer diariamente nos telejornais é um erro de percepção do cidadão, pois não significa que está tudo bem no mundo do ensino, mas apenas que não é conveniente, por questões tácticas, fazer muitas ondas, como fez durante mais de três décadas.
Não é pelas esquerdas da esquerda, não pedirem a demissão do governo português, nem organizar grandiosas manifestações de protesto, que está tudo bem no mundo laboral, que já não existe precariedade, nem falsos recibos verdes, nem desemprego com taxa de dois dígitos, nem diferença salarial entre homens e mulheres, nem o ordenado mínimo tão pequeno e as pensões e reformas escandalosamente reduzidas, nem há fome e miséria no país, mas tão só um erro de percepção, pois o que existe é uma questão táctica eleitoral, por não ser útil criar problemas ao governo.
Outro erro de percepção é o roubo das armas na PSP, pois não é pelas esquerdas da esquerda não pedirem a demissão da ministra da administração interna, que a ministra não seja a responsável política de tal furto. Num passado recente, um ministro da mesma pasta pediu a demissão, quando considerou que a sua autoridade ficou diminuída com o envolvimento de pessoas que lhe são próximas nas investigações da “Operação Labirinto”, que visava casos de corrupção na atribuição e vistos “gold”. 
Também não é pelos protestos veementes, dos partidos à esquerda no espectro político português, quanto à não divulgação, pelo governo anterior, das estatísticas referente aos dez mil milhões de euros, que foram transferidos para «offshores», que a importância do nome dos beneficiários, de tais depósitos, diminui. É apenas um erro de percepção! Mas que se divulgue, com urgência, os nomes de tais privilegiados, mesmo que o sigilo bancário aconselhe a não o fazer. O interesse nacional está primeiro!
O «outdoor», de grandes dimensões, do maior partido que apoia o atual governo, a vangloriar-se pelo cumprimento do défice imposto pela União Europeia é outro erro de percepção, pois não quiseram gabar-se, mas tão só informar os portugueses de tal feito. Embora tenha criticado o anterior governo, de só ter em atenção o malfadado défice.
A utilização de um discurso agressivo, soez e radical, no pior estilo «socrático», usado e abusado pelo atual primeiro-ministro no parlamento é também um erro de percepção e uma opção política, que está condicionada pelos partidos à sua esquerda.
A aprovação numa RGA (formada por duas dúzias de estudantes, na sua maioria bloquistas), do cancelamento da Conferência “Populismo ou Democracia”, que um Professor Universitário ia proferir na Faculdade de Ciências de Lisboa é mais que um erro de percepção, pois foi também a promoção da censura, o desprezo pela liberdade de expressão e uma cobardia intelectual. Já são muitas, as intimidações duma «esquerdelha abjeta», ao funcionamento de instituições independentes. Com um travo amargo a PREC.

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