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A MULHER NA GUINÉ BISSAU

JOANA BENZINHO
No mês de março celebramos o dia da mulher em todo o mundo e, se em alguns países há quem se questione sobre o porquê de se celebrar tal efeméride, por a mulher ter nos dias de hoje um papel relevante e de (pretensa) igualdade na vida social, noutros continua bem premente a necessidade de relembrar a cada minuto as origens da comemoração desta data e a necessidade de batalhar por mais direitos e por mais igualdade para o sexo feminino. 
Vem isto a propósito da Guiné-Bissau e do facto de esta data ser feriado nacional naquele país e de permitir que homens e mulheres fiquem em casa neste dia e reflictam um pouco sobre a importância da efeméride.
Com um mosaico de mais de duas dezenas de etnias e credos religiosos distintos, é traço comum a quase todos a relevância do papel atribuído à mulher na sociedade. Historicamente podemos referir a Rainha Okinka Pampa, “chefe máxima” do arquipélago dos
Bijagós, idolatrada ainda hoje por ter defendido o seu povo do jugo colonialista com grande destreza, ao ter assinado um acordo muito benéfico para os Bijagós. 
Já aquando da luta de libertação, várias foram as mulheres a assumir posições de grande relevância na guerrilha e nas fileiras do PAIGC de Amilcar Cabral como Titina Silá, Teodora Cardoso ou Carmen Pereira, entre outras.
Independente de nomes mais sonantes e com papeis mais ou menos essenciais na história do país, a verdade é que a mulher guineense em geral granjeia um enorme respeito na sociedade e assume um papel de grande relevância no contexto económico e social do país. Habitualmente é a mulher guineense que gere o magro orçamento familiar e que se desdobra em várias funções para obter os recursos que lhe vão permitir criar e educar os seus filhos.
Na etnia Bijagó, encontramos uma sociedade marcadamente matrilinear, com a mulher a ter um papel da maior relevância, a presidir a cerimónias religiosas ou a dirimir conflitos na sociedade, a escolher o marido ou a pedir o divórcio, a ficar com a guarda das crianças ou a iniciar os mais novos nos distintos rituais animistas.
Mas apesar de tudo, ainda encontramos a mulher subalternizada numa ou outra etnia, limitada ao papel de dona de casa com acesso muito restrito à educação, ao mundo do trabalho ou uma vida social livre e paritária.
É talvez da síntese destas realidades tão diversas existentes na Guiné-Bissau que se torna necessário dar a este dia a importância de um feriado de cariz nacional. Na verdade, o dia da mulher na Guiné-Bissau lembra que a igualdade de direitos e de oportunidades é um projecto ainda em construção que exige muita reflexão e que é uma luta que se deve continuar a travar diariamente. Aqui como no resto do mundo.

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