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A ESTRANHA MORTE DO PADRE OLÍMPIO

JOAQUIM DA SILVA GOMES
Irei recordar um episódio que ocorreu na nossa região, passam agora 90 anos. 
Eram, na altura, os últimos dias do mês de dezembro de 1926 quando, em Braga, surgiu a notícia que o padre Olímpio tinha desaparecido. Preocupados, as pessoas de Braga, Guimarães e Fafe tentavam, aos poucos, saber qual o paradeiro desse padre, tal era a admiração que este tinha nestas três localidades. 
O mistério ficou parcialmente desfeito no dia 19 de dezembro de 1926, quando o padre Olímpio apareceu num quarto próximo do Convento de S. Domingos, em Guimarães. Foi encontrado pendurado por uma corda atada ao pescoço, pálido, com uns olhos semiabertos, a língua a mostrar-se por entre uma boca quase fechada e com um rosto sereno. Estava vestido com a tradicional batina!
O relato desta situação depressa ultrapassou as fronteiras de Guimarães, onde estava colocado na paróquia de S. Paio, chegou à sua freguesia de naturalidade, Travassós – Fafe, e também a Braga, onde era muito admirado e respeitado.
Afinal, quem era este mediático padre Olímpio, que apareceu morto em circunstâncias estranhas?
O padre Olímpio Rebelo nasceu em Travassós – Fafe, em 1902. Muito novo veio para Braga, onde frequentou o Seminário. Aqui ficou conhecido pela sua invulgar dinâmica: pertenceu à Juventude Católica, foi um dos fundadores da Juventude Católica de Travassós e era, à data da sua morte, diretor da Alcateia de Lobitos do Corpo Nacional de Escutas, em Guimarães. 
Em 1924, com apenas 22 anos, foi ordenado sacerdote e enviado para Travassós, sua freguesia de naturalidade. Contudo, passado pouco tempo, a Arquidiocese de Braga resolveu enviá-lo para a freguesia de S. Paio, em Guimarães. Nessa freguesia, em poucos meses obteve o reconhecimento e a admiração de todos os paroquianos, quer pela sua juventude, quer pelo seu bom caráter e pela sua amabilidade. Era um padre moderno, para a época.
Na semana anterior ao Natal de 1926 o padre Olímpio resolveu fazer umas compras, para levar à sua família de Travassós, com quem iria passar a quadra natalícia. Para isso, deslocou-se a uma casa comercial, onde pretendia comprar aquilo que julgava mais necessários para o Natal dos seus familiares. Foi então que, desde essa final de tarde, deixou de ser visto, quer pelos seus paroquianos, quer pelos seus amigos. 
Na ocasião, alguns vizinhos do padre Olímpio afirmaram tê-lo visto com um homem estranho, vestido com uma capa à alentejana. Foi então que se deslocaram a uma casa próxima da residência paroquial, em S. Paio, e, pelas 11 horas do dia 19 de dezembro, depararam-se com o triste espectáculo já descrito, ou seja, o padre Olímpio, já cadáver, pendurado por uma corda ao pescoço!
Perante este cenário, de imediato surgiu a hipótese de suicídio, que foi, no entanto, colocada de parte por todos os que conheciam o padre Olímpio. E a recusa da tese de suicídio baseava-se na alegria que o padre demonstrava, na solidariedade que revelava, na competência que detinha e no desejo de servir, sempre e cada vez mais e melhor, os seus semelhantes. Por isso, a tese de assassínio foi de imediato colocada como a mais provável. Contudo, esta era uma hipótese que admirava os seus amigos e familiares, uma vez que não se reconheciam inimigos ao padre Olímpio! 
Como é natural nestes casos, as forças policiais e as autoridades judiciais tomaram conta deste estranho caso, que se prolongou no tempo, acabando, no entanto, por entrar numa fase de esquecimento, sem existirem ilações claras acerca do que realmente tinha acontecido ao jovem e mediático padre Olímpio.

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