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ALERGIAS: PROTEGER DE MAIS TAMBÉM É DEFEITO

Poléns, poléns e mais poléns…
VERA PINTO
Começou o processo de polinização! Contrariamente ao que a maioria das pessoas desejava, a Primavera trouxe consigo o mau tempo. Contudo, os dias de sol radioso que precederam a sua entrada foram suficientes para despoletar o processo reprodutivo das plantas. Os fortes ventos que se seguiram reuniram as condições ideias para desencadear os processos alérgicos nos mais susceptíveis. A prescrição médica, bem como, a procura desesperada de anti-histamínicos capazes de travar o “atchim”, o famoso pingo e a comichão no nariz ou pele aumentaram significativamente nos últimos dias. Há pessoas mais predispostas a desenvolver uma alergia por serem mais sensíveis a determinadas substâncias, encarando-as como se fossem agressivas, apesar de serem comuns. No primeiro contacto entre o organismo e essa substância, a que chamamos alergeno, há uma resposta do sistema imunitário originando sensibilização. Num contacto posterior são libertados os chamados mediadores, entre eles a histamina, que são responsáveis pelos referidos sintomas tão incómodos. 
Mas será que a alergia é uma condição inevitável ou será que lhe podemos fugir? Sabemos que existe um componente genético nas alergias. Pais com alergias têm uma maior probabilidade de ter filhos com o problema. Contudo, também está comprovado que o ambiente exerce uma grande influência, visto que o tratamento chave das alergias seria a erradicação do respectivo alergeno.
É evidente um aumento marcado das alergias e de desordens atópicas nos países desenvolvidos, começando nos anos 60 e progredindo firmemente durante todo o resto do século XX. A teoria da higiene veio apresentar-se como uma explicação para esta tendência. Para alguns pais é impensável ver as suas crianças brincar na terra, andar descalços, levar objectos à boca depois de caírem ao chão, entre outros, pois têm a certeza que isso será o caminho para uma série de doenças. Contudo, alguns estudos colocam esses medos em causa. O contacto com organismos microbianos pode ajudar o sistema imunitário, exercendo uma papel protector contra as alergias. Superproteger as crianças reduzindo a exposição aos agentes, diminui a eficácia do sistema imunitário que como não é estimulado “atrofia”. O contacto com alguns microorganismos é importante porque ensina o sistema imunitário, ainda em fase de desenvolvimento, a funcionar correctamente. É dessa forma que o organismo cria anticorpos e melhora a sua resistência para quando tiver de enfrentar uma infecção mais complexa. O nosso organismo tem capacidade para lidar com bactérias e outros microorganismos presentes no meio ambiente, pelo que não devemos substimá-lo.

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