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CONSEQUÊNCIAS DA MÁ NUTRIÇÃO NO IDOSO

DIANA PEIXOTO
As Nações Unidas em 2007 consideraram como idosa a população com 60 e mais anos. No entanto, este grupo carece de distinção, uma vez que há enormes diferenças nas capacidades físicas, cognitivas e psicológicas nas pessoas de 60 comparativamente com as de 80 anos, e que, por sua vez, vão influenciar as necessidades nutricionais dos indivíduos. A malnutrição ou má nutrição associa-se a uma maior morbilidade e mortalidade no idoso. Há, normalmente, perda de peso e de massa magra (massa muscular), sarcopenia (perda de massa muscular esquelética associada à perda de força), osteopenia (perda de densidade óssea), envelhecimento bucodentário, diminuição da capacidade respiratória, perda das capacidades sensoriais, perda da sensação de sede, alteração do aparelho digestivo e obstipação, maior probabilidade de quedas e fraturas ósseas, úlceras de decúbito, anemia, alterações da farmacocinética dos fármacos (o caminho que ele faz no organismo), aumento dos transtornos cognitivos, imunossupressão (redução da eficiência do sistema imunológico), maior risco de infeções e de complicações e aparecimento de outras doenças. Por estas razões, a má nutrição no idoso está intimamente associada a um aumento de custos da saúde. Por isso mesmo, uma intervenção precoce seria muito benéfica para prevenir males futuros. A avaliação do estado nutricional em idosos tem como principais objetivos determinar a adequação da ingestão alimentar/nutricional às necessidades individuais; identificar fatores de risco de desnutrição; diagnosticar situações de malnutrição; identificar a etiologia dos défices nutricionais; elaborar e aplicar estratégias terapêuticas e avaliar a efetividade da estratégia aplicada (Ferry et al., 2004; Mesa e Dapchich, 2006).
A evolução da má nutrição no paciente idoso é similar à de qualquer outro processo patológico e o seu tratamento depende da existência de uma causa médica que seja tratável. Nesse caso, pode-se melhorar o estado nutricional com o tratamento dirigido a essa causa. Caso contrário, teremos de centrar as atenções no tratamento nutricional: rever a dieta, eliminar as restrições existentes e fracionar a alimentação ao longo do dia, particularmente para aqueles alimentos que não são tão aceites pelo idoso; fornecer suplementos nutricionais orais e, se mesmo assim for insuficiente, ponderar a alimentação por via de sonda.
É importante salientar que quando a alimentação convencional é insuficiente para assegurar o aporte calórico e suficiente de nutrientes, quer por problemas fisiológicos, quer por patológicos, torna-se imprescindível utilizar-se novas opções dietéticas terapêuticas. A alimentação básica adaptada favorece a nutrição da pessoa idosa porque está adaptada às suas necessidades de nutrientes, textura, sabor, simplicidade de preparação e sua manutenção, dando a perceção de um prato caseiro.
Alguns cuidados na aquisição de géneros alimentícios podem resultar numa alimentação mais equilibrada. A variedade é essencial para a ingestão dos nutrientes, mas, por hábito ou por preferências, há por vezes a tendência para adquirir quase sempre os mesmos produtos – não o faça! Também é conveniente pedir nos supermercados para fracionar os alimentos em pequenas quantidades. Estas sugestões tanto servem para o idoso que faz as suas compras como para os seus familiares ou cuidadores. Estes últimos também devem estar atentos a variações anormais do seu peso corporal. Nas refeições, se não for possível manter a quantidade, é necessário fortifica-las. E nunca esquecer a ingestão de líquidos, que é essencial sobretudo nos idosos. Para facilitar, se for possível, acompanhar o idoso durante a sua refeição, conversando com ele.

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