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A SOBREVIVÊNCIA DOS MAIS APTOS

LUÍS ARAÚJO
A propósito de uma tarde de compras em Braga apercebi-me de uma verdade insofismável, o futuro da humanidade está em causa, e a culpa é das mulheres.
Enquanto cirandava pela conhecida cidade dos “pês” – residindo a duvida no facto de serem três ou cinco – derretendo obscenas quantias de loja em loja, acompanhado por uma tia que pacientemente me explica que não se deve misturar calças amarelas com uma camisa fuscia (seja lá isso o que for), sou surpreendido com umas gotas de chuva.
Claro que a surpresa se deve eminentemente ao facto de eu ser parvo, pois toda a gente sabe que Braga é o penico da Europa, não sendo surpresa nenhuma um aguaceiro inopinado.
E a chuva la começou a cair, envergonhada, esparsa, acumulando algumas gotas no para-brisas enquanto me dirigia para outra loja, e lentamente foram-se acumulando, enquanto procurava lugar para estacionar.
Finalmente, sem aguentar mais, a minha tia dispara sem rodeios “não vais ligar as escovas?”
Estarreci, confesso que nem sequer tinha essa opção como viável. Não sou eu que ligo as escovas, é o carro, como faz com as luzes, com o ar condicionado e com outras milhentas coisas com as quais não tenho que me preocupar, mas o que releva é que os homens são bem mandados, muito bem mandados.
Eu não ligo as escovas nem as luzes quando quero, mas quando o meu carro quer, não ligo o aquecimento central nem baixo os estores quando quero, mas quando a minha casa quer, tenho uma formação académica alicerçada em licenciaturas e mestrados, dividida em cinco universidades, mas todas as semanas faço de gasolineiro porque a GALP quer, de operador de caixa de supermercado porque o Belmiro de Azevedo quer ou de empregado de mesa porque os donos dos restaurantes querem, por via da florescente moda dos “buffets”.
Mas não sou só eu, há toda uma multidão masculina que, habituada a milénios de resignada e silenciosa subserviência perante as mulheres, permite que o carro, a casa, o Bemiro e basicamente todo e qualquer bicho careta mande em si, o problema são as damas, inflexíveis, ditatoriais, de nariz arrebitado e que ligam as escovas do carro mal começa a chover, pois não se adaptam e a sobrevivência das espécies, como tão bem postulou Darwin, só se dá com a sobrevivência dos mais aptos, mas os mais aptos, sem as damas não sobrevivem porra nenhuma.

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