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O HOLANDÊS, AS SENHORAS E O VINHO

ARMANDO FERREIRA DE SOUSA
Bem recentemente o país acordou irado, num assombro de patriotismo que aparentemente havia sido beliscado pelas declarações do presidente do eurogrupo,Jeroen Dijsselbloem.
Numa entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, ao ser chamado a opinar quanto ao rigor que o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble professa em relação às regras em vigor, Dijsselbloem respondeu:
“Tornamo-nos previsíveis quando nos comportamos de forma consequente e o pacto no seio da zona euro baseia-se em confiança. Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Porém, quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu”
Ora, qualquer político minimamente responsável saberia de antemão que declarações como estas, ainda que colocadas no plano pessoal, poderiam ser tomadas como ofensivas e indignas de alguém com responsabilidades no projeto europeu.Dijsselbloem, contudo assim não considerou e, no exercício da sua liberdade manifestou a sua opinião da forma que considerou a mais adequada.
E, previsivelmente, passou então a ser o inimigo n.º 1 dos povos ofendidos, diabolizado pela imprensa, ávia em escândalos, acusado pelos políticos, hábeis no lançamento de “cortinas de fumo” e crucificado pelo povo, que tanto bebe dos escândalos inventado pela imprensa como alegremente entra e permanece feliz nas narrativas dos políticos.
Contudo, seria um interessante exercício pensar se efetivamente o Sr. Dijsselbloem não teria pelo menos uma réstia de razão naquilo que afirmou.
Seria interessante relembrarmo-nos dos tempos dos fundos europeus a inundar o nosso país e pensar na forma em que foram aplicados pelos seus destinatários.
E para tal bastará a recordação das célebres figuras de agricultores e construtores civis, que ao invés de adquirir as máquinas de trabalho para as quais se destinavam os fundos, adquiriam mercedes e jipes de alta cilindrada, isto sem falar nas noites bem passadas em certas casas de dança que se multiplicaram como coelhos…
E aqui também podemos exemplificar com as diversas formações financiadas pelos fundos europeus e que afinal de contas ou não eram ministradas ou, sendo-o, apenas se destinavam a cumprir o calendário, estando desprovidas de qualidade pedagógica, utilidade para o formando, sendo por tal, completamente inúteis.
Deste modo, e recordando certos períodos da nossa história recente, não poderei pois dizer que estarei em total desacordo com o Sr. Dijsselbloem, e se me escandaliza tanto dinheiro destinado a investimento deitado ao lixo, que dizer do sentimento de outros povos que assistiram a tanta oportunidade desperdiçada por um único país como o nosso, que teria todas as condições para ter uma das economias mais competitivas do mundo.
Eu sou Dijsselbloem!

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