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SER HUMILDE

MÁRCIA PINTO
A humildade é uma qualidade cada vez mais rara de encontrar. É uma característica das pessoas que sabem assumir as suas responsabilidades, sem arrogância e/ou prepotência.
Assim, a humildade é considerada uma qualidade bastante positiva e benéfica, onde ninguém é pior ou melhor do que o outro, todos merecem o mesmo nível de dignidade, respeito, simplicidade e honestidade. A humildade é um sentimento de extrema importância, porque faz a pessoa reconhecer as suas próprias limitações, com modéstia e ausência de orgulho.
Contudo, quando pensamos em humildade logo vem à cabeça a ideia de pobreza, humilhação, mas humildade não é condição, é um valor!
Desta forma, com o passar do tempo fomos crescendo com uma visão distorcida do que é ser humilde. Para a maioria, ser humilde é estar abaixo do nível comum da sociedade, ou seja à margem. Por isso muitas vezes acreditamos que as pessoas humildes são aquelas desprovidas de conhecimento e capacidade económica, sendo deste modo “escravos” dos que têm mais conhecimentos e que têm uma vida economicamente mais favorável. Logo ser pobre é sinónimo de ser humilde, com a conotação negativa que erradamente lhe é atribuído.
No entanto, ser humilde não é a desvalorização de si mesmo, não é a ignorância em relação ao que somos, mas pelo contrário, é ter conhecimento exato do que não somos e daquilo que não queremos ser. É apresentar-se com humildade, sem que a vaidade se manifeste.
Depois também existem as falsas humildades daqueles que fingem ser o que não são perante os outros querendo parecer humildes, apesar de estarem cheios de ressentimentos, inveja ou ambição.
A verdadeira humildade é aquela em que o homem tem consciência e possui uma convicção do que ele é, da sua capacidade, da sua força mas também da sua fraqueza, compreende a sua inferioridade, reconhece os seus limites mas que se esforça e trabalha para ser melhor.
Ser humilde é saber ir até o ponto de não interferir nos outros, ser humilde é não intrometer-se na vida dos outros.
Porém, muitas vezes achamos que somos melhores do que o outro porque temos, sabemos ou fazemos alguma coisa. Será que o facto de termos concluído um curso, nos torna superiores ao outro ou aumenta a nossa responsabilidade sobre como poderemos usar tal conhecimento? É claro que o saber é muito importante, mas usar isso como argumento de superioridade é o que reforça em nós a estrutura egocêntrica. A superioridade é uma das manifestações do orgulho e, consequentemente do orgulhoso.
Uma das principais diferenças entre o humilde e o orgulhoso é que o humilde não faz comparações nem julgamentos. Ele procura compreender os porquês, os motivos que levaram uma pessoa a agir de uma determinada forma. O humilde sente-se igual aos outros e respeita-os exatamente como são, sem exigir ou esperar deles uma mudança para que sejam aceites.
Em suma, pobres podem ser orgulhosos e ricos podem ser humildes, porque humildade não é património exclusivo de nenhuma classe social!

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