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EA: RELAÇÕES INTERPESSOAIS

GABRIELA CARVALHO
Em várias crónicas tenho abordado o EA com algumas especificidades.
Na crónica de hoje a especificidade será sobre a importância das RELAÇÕES INTERPESSOAIS.
Cada vez mais se reforça a importância das redes sociais de apoio, particularmente à medida que envelhecemos, nomeadamente no suporte que dão para superar «acontecimentos potencialmente stressantes da fase avançada de vida.»
Todos nós, somos por natureza, seres sociais que vivemos em interacção com os outros.
A verdade é que na nossa vida pertencemos a vários grupos de relação: família, amigos, trabalho, escola… portanto, é um facto que a participação social é um factor preponderante de bem-estar, sendo por isso que constitui um dos 3 pilares do Envelhecimento Activo, proposto pela Organização Mundial de Saúde.
Todos nós percebemos que é ao estar inseridos nos vários grupos sociais que vivenciamos as melhores experiências de vida e vamos construindo os nossos traços de personalidade, “as características que mais nos caracterizam.”
Se ao longo da vida, as relações sociais assumem uma relevância significativa, na terceira idade, reforçar os laços sociais, consolidando a interacção familiar e com a comunidade, além de «desmistificar a ideia de uma velhice continuamente associada ao abandono e isolamento» também permite manter-se activo, uma vez que estas relações vão fomentar a inserção, por exemplo, em organizações locais, instituições…
Facto é, que a convivência harmoniosa com os outros nos faz sentir seguros, apoiados e compreendidos, permitindo-nos construir a nossa identidade, uma vez que aquilo que os outros pensam de nós vai contribuir significativamente para a imagem que vamos construindo de nós próprios.
O apoio da nossa rede de relações (família, amigos, vizinhos) tem benefícios a vários níveis:
– AFECTIVO: por exemplo, possibilita reforçar a auto-estima, ao sentirmo-nos aceites pelos outros;
– EMOCIONAL: receber sentimentos positivos de quem nos rodeia facilita ultrapassar os problemas (por exemplo);
– Influência a PERCEPÇÃO: quer a percepção que a pessoa em de si mesma quer a percepção que tem do meio envolvente está intimamente relacionada com a rede de relações interpessoais;
– Importante a nível INFORMATIVO: é no contacto com o outro que nos vamos mantendo informados e compreendemos melhor as situações do dia-a-dia;
– Potencia o CONVIVIO SOCIAL: só em contacto com os outros podemos ter um convívio social e este permite aliviar tensões, diminuir o isolamento e aumentar a participação social.
Importa reforçar que há medida que a idade avança, particularmente com a entrada na reforma, existe uma diminuição das redes sociais (ver crónica do dia 17.03.2017). No entanto, esta diminuição não significa que a pessoa sinta menor necessidade em se relacionar, ANTES PELO CONTRÁRIO!
Todos nós precisamos do “nosso tempo” de estar sozinhos em determinados períodos. No entanto, quando este “estar sozinho” é mais significativo que “estar com os outros”, podem surgir os sentimentos de solidão com consequências negativas, particularmente numa etapa de vida, por si só, mais vulnerável.
«Por isso, manter uma vida activa, antes e após a reforma, criar interesse por determinados passatempos ou actividades, participar na vida cívica (…) são algumas opções que ajudam a que os idosos permaneçam perfeitamente integradas na sociedade!»
Alguns exemplos de manter a actividade social:
– FAMILIA: cuidar dos netos, acompanhá-los à escola; ir aos correios; pagar as contas; resolver assuntos burocráticos ajudando os filhos, …
– SOCIEDADE: voluntariado sénior; programas intergeracionais; participar em associações locais e/ou partidos políticos, …
Exemplos mais práticos (que poderão ajudar):
Fazer um plano semanal com várias actividades sociais e ocupacionais e assinalar as que são mais importantes e que poderá fazer nessa semana, perspectivando a possibilidade das que não seleccionou também virem a fazer parte da sua lista:
– Tratar do jardim/quintal
– Visitar alguém
– Fazer um bolo e convidar alguém para o lanche
– Colaborar nas tarefas domésticas dos filhos, nomeadamente, nas que envolvam idas às finanças, segurança social…
– Procurar informação sobre a agenda cultural da sua cidade e envolver-se numa dessas actividades
– Marcar uma saída em família e/ou com amigos e organizar as coisas
– …
O IMPORTANTE É MANTER-SE SOCIALMENTE ACTIVO!
“Mais do que acrescentar anos à vida, a Terapia Ocupacional proporciona vida aos anos.”
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Referências Bibliográficas:

– Organização Mundial de Saúde (2005). Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde.

– Ribeiro, O., C. Paúl (2011). Manual de Envelhecimento Activo. Lisboa, Lidel – edições técnicas, lda.

– Torres, M. & Marques, E. (2008). Envelhecimento activo: um olhar multidimensional sobre a promoção da saúde. Estudo de caso em Viana do Castelo. Lisboa: VI Congresso Português de Sociologia.

– Vasconcelos, K. R. B. d., Lima, N. A. d., & Costa, K. S. (2007). O envelhecimento ativo na visão de participantes de um grupo de terceira idade. Fragmentos de cultura, 17, 439-453.

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