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AOS COLECCIONADORES DE SONHOS

HELENA COUTINHO
Hoje, ressuscitei um sonho e, por isso, quero dedicar esta crónica aos que são capazes de empacotar a vida e partir, incessantemente, em busca do que acreditam ser melhor. Àqueles que, apesar de fazer parte da vida de tanta gente, decidem aventurar-se, por sua conta e risco, pelos labirintos movediços do desconhecido. Homens e mulheres que se agigantam, nos pensamentos e nos lugares proibidos da existência, contra o medo e a imprevisibilidade do tempo e da sua sorte. Gente que nasceu de inúmeras histórias comuns mas que escolheu crescer e morrer recheada de memórias e vitórias singulares. Gente incrivelmente simples, que tanto admiro, sobre a qual acredito que todas as palavras possíveis pecam por ingenuidade e por impura ingratidão.
Foi com gente assim, inspiradora e inesquecível, que descobri que há tanto por acontecer e conhecer, em cada momento vivido, e que não podemos desistir de querer saborear a mudança latente em todos os momentos por viver. Na verdade, o nosso cantinho de mundo pode até ser um refúgio com aparente dimensão universal mas, para quem sonha conhecer de perto as dimensões semeadas ou ocultadas além do horizonte, as paredes naturais, multicolores e multilingues, serão sempre mais cativantes do que as paredes rectilíneas, feitas de cimento ou de gente betão. Com eles aprendi, também, que vive mais quem sonha, quem não desiste do seu poder e quem não sossega sob a vontade de fazer a vida acontecer, continuamente. Vive mais quem questiona, sem nunca deixar de aceitar e de respeitar, profundamente, o que é essencial. Vive mais quem agradece e redescobre (diariamente) o privilégio de existir e de transformar a sua existência numa aventura alucinante mas feliz.
Resumindo, há gente que através da sua inquietante mas fascinante forma de ser nos ensina que enquanto sobrar vontade de partir, tudo é possível. Incluindo descobrir o melhor lugar para permanecer! E enquanto o mundo for um lugar repleto de lugares órfãos de amor, amar continuará a ser a solução perfeita para um enigma intemporal, que é a arte de bem viver.

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