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O JOGO DA BALEIA AZUL VISTO DE OUTRA PERSPECTIVA

LUÍS ARAÚJO
Confesso que ando completamente fascinado pelo jogo da Baleia Azul.
Pelo que percebi trata-se de um jogo em que o destinatário recebe instruções de alguém que lhe vai determinando tarefas a fazer até que a ultima delas leva invariavelmente ao suicídio.
Ora, os meus tempos de adolescente já se perderam na bruma da memória, mas acho sublime alguém começar a jogar algo que sabe que vai ter como invariável desfecho tirar-se a própria vida.
É como ser-se um bombista suicida, mas sem o bónus final das 70 virgens, se bem que também não entenda muito bem porque raio é que alguém quererá passar a eternidade com 70 mulheres, previsivelmente a reclamarem sobre as condições celestiais do paraíso, da natural ausência de algumas partes – eventualmente importantes – do corpo do senhor que se fez explodir, tudo devidamente polvilhado com quantidades industriais de amuos diversos.
O que é incompreensível é que a Policia anda a perseguir quem dinamiza este jogo, o que não me parece nada bem. 
Goste-se ou não o jogo da Baleia Azul assenta em conceitos mais ou menos pacíficos dentro da comunidade científica, no caso, recordo-me da teoria da Evolução das Espécies de Darwin, uma coisa que demora horrores a ler e da qual se extrai uma única conclusão, “a sobrevivência dos mais aptos”.
Foi isto e não a força ou a inteligência que fizeram com que o ser humano se superiorizasse aos restantes animaizinhos e levasse a que, hoje em dia, uns andem pendurados nas árvores e outros pendurados em smartphones.
Ora, se um indivíduo qualquer recebe uma mensagem no telefone, no fax, ou através de sinais de fumo a dizer que se deve atirar de um 14º andar e não se apercebe que aquilo vai, com toda a certeza fazer dói-dói, claramente estamos perante alguém que não merece o oxigénio que respira.
No fundo o jogo da Baleia Azul mais não é do que um empurrãozinho que se está a dar à natureza na sua missão da selecção natural, uma espécie de teste prático à teoria de Darwin.
Parece-me é que os progenitores andam a aproveitar mal esta genial ideia, pois nas 50 tarefas, substituíam coisas parvas como “levantar-se às 4:20 da manhã” e “ver filmes de terror todos os dias” por algo verdadeiramente radical como “arrumar o teu quarto” e “estudar todos os dias”.
De qualquer forma, como tenho uma mentalidade aberta a novas ideias tentei eu próprio implementar esta novidade genial de enviar mensagens às pessoas para elas cumprirem missões, apenas com uma ligeira alteração, pois em vez dessas coisas parvas das flagelações e dos saltos para o espaço de prédios altos, o destinatário do meu jogo, que neste caso eram destinatárias, só tinha uma missão, ir imediatamente ao WC, onde quer que se encontrasse, tirar uma fotografia dos seios e enviar-ma.
Curiosamente não recebi nenhuma fotografia de seios, mas de mãos com um dedo esticado, várias ordens de restrição – neste momento há um numero grande de pessoas de quem não me posso aproximar num raio de 100 metros – algumas acções judiciais e há agora um número indeterminado de mulheres que pensa que me devo internar.
Definitivamente só a ímpar maturidade de um adolescente consegue interpretar na sua plenitude este jogo único.

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