Home>BIRD Magazine>FOSSO SALARIAL
BIRD Magazine

FOSSO SALARIAL

JOÃO MENDES
Segundo dados revelados no final de 2016 pelo Eurostat, referentes a 2014, Portugal é o país da União Europeia onde o fosso entre os salários mais altos e a média é maior. Em sentido inverso, ocupamos o topo da lista no que diz respeito à diferença entre a média e os salários mais baixos, a par dos países escandinavos e de potencias económicas como Itália e França.
Olhando para o segundo indicador, onde nos encontramos lado a lado com algumas das mais robustas economias da UE, poderemos ser induzidos no erro de achar que estamos afinal melhor do que pensávamos. Não estamos. Apesar da inexistência de um salário mínimo fixado por lei na maioria dos países ao lado dos quais surgimos – Dinamarca, Suécia, Finlândia e Itália – se olharmos para os salários médios destes países, aos quais se juntam França e Bélgica, com salários mínimos de 1457,52€ e 1559,38€ respectivamente, verificamos que, em todos eles, o salário médio é superior a 2 mil euros (oscila entre os 2017€ em Itália e os 3553€ na Dinamarca), ao passo que o salário médio em Portugal é de 968€.
Ao contrário dos países citados, onde a média é tão alta que, havendo uma disparidade menor, os salários mais baixos acabam por ser uma miragem para países como o nosso, o que acontece em Portugal é que a média é tão baixa (50,6% inferior à média da União) que a referida diferença apenas vem confirmar o que todos sabemos: que a esmagadora maioria dos salários pagos no nosso país são extremamente baixos. O que de resto confirma a tendência de um país onde, de ano para ano, o fosso entre pobres e ricos não pára de aumentar. Essa espécie de competitividade pela qual partidos como o PSD e o CDS-PP tão arduamente têm lutado. 
Para além de um país profundamente desigual, em matéria salarial como em muitas outras matérias, e não descurando a existência de executivos de topo que fazem a diferença e que merecem salários condizentes com os resultados alcançados, é interessante verificar onde estão os salários obscenos que se pagam neste país. Estão nos bancos, em constante processo de resgate com o alto patrocínio das parcas economias que restam nos cofres públicos, suportados em larga medida pelos periclitantes assalariados médios deste país; estão em grandes empresas, como a PT, onde um super-CEO que afinal era uma fraude conseguiu destruir quase um bilião de euros para fazer o frete à Rioforte do terrorista Salgado; e estão na generalidade dos gigantes do PSI-20, que pagam impostos na Holanda e que, por falar em Holanda, tendem a estar depositados em paraísos fiscais, que isto de auferir salários superiores a sete dígitos é uma aflição permanente e há que guardar algum para a reforma numa qualquer ilhota caribenha. Se correr mal, os assalariados de três dígitos cá estarão para garantir que a nenhum multimilionário faltará gasolina no iate. De resgates percebemos nós. Eles é mais exploração, luvas e falta de vergonha na cara.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.