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FALEMOS DA DEPRESSÃO

Nunca despreze as pessoas deprimidas.
A depressão é o último estágio da dor humana.
Augusto Cury
ELISABETE CERQUEIRA
A depressão é, atualmente, a principal causa de doença e incapacidade a nível global. O alerta foi emitido recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que, para assinalar o Dia Mundial da Saúde, decidiu centrar todas as atenções na depressão. Segundo a mesma fonte, até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo.
Descrita pela primeira vez no início do século 20, a depressão ainda hoje é confundida com tristeza, desmotivação,…sentimentos comuns a todas as pessoas em algum momento da vida. A tristeza é uma reação normal às situações de vida, tais como lutas, zangas, perdas, derrotas e decepções, são motivos para deixar alguém triste, cabisbaixo, mas isso não significa que a pessoa esteja com depressão, certamente que vai ultrapassar a situação e vai sentir-se melhor…
Ela chega de mansinho, assim como quem não quer nada. Num dia, acorda triste, desanimado… no outro, uma vontade incontrolável de chorar, sem qualquer motivo aparente, mas quando o vazio e o desespero tomam conta do seu dia-a-dia, tornando-se permanente, afetando-lhe a motivação e o sentido da vida, pode ser depressão. Mais do que apenas o humor diminuído, os pontos baixos da depressão podem afetar-lhe a sua funcionalidade e deixar de ter prazer na vida. Deixa de se interessar pelos amigos, família, lazer, hoobies, trabalho, saúde, você sente-se esgotado o tempo todo…só aguentar o passar do dia pode ser avassalador. A depressão é assim, um mal silencioso e ainda mal compreendido.
Considerada um transtorno mental ou uma doença psiquiátrica, a depressão é caracterizada pela tristeza constante e outros sintomas negativos que anulam e incapacitam o dia-a-dia do indivíduo, interferindo com a sua capacidade de trabalhar, estudar, comer, dormir e divertir-se. Falar em depressão é muito mais do que falar em melancolia, é falar em tristeza aliada a apatia, é falar num estado com consequências que podem ser fatais…estima-se que a cada 40 segundos se comete um suicídio no mundo.
Os sentimentos de desamparo, desesperança, inutilidade são intensos e implacáveis, com pouco ou nenhuma alívio. A depressão tornou-se tão presente nas últimos décadas, porque as situações de incerteza também são maiores do que eram no passado, quanto maior é a situação de insegurança, de incerteza, de stress, em que vivemos, maior são os estados emocionais em que nos encontramos. Não há dúvidas de que há pessoas mais vulneráveis do que outras e que há motivos genéticos que levam as pessoas a ficarem deprimidas com mais facilidade. Há uma interação entre aquilo que as pessoas são do ponto de vista genético e biológico e a pressão ambiental, mas o que mudou nos últimos anos não foram os genes…o que mudou nos últimos anos foi a nossa qualidade de vida…aumentou o stress, a incerteza, o medo…
Existem sinais e sintomas que nos podem indicar que estamos perante uma depressão, são eles:
• Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia
• Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas
• Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis
• Desinteresse, falta de motivação e apatia
• Falta de vontade e indecisão
• Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio
• Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte.
• A pessoa pode desejar morrer, planeia uma forma de morrer ou tentar suicídio
• Interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom “cinzento” para si, os outros e o seu mundo
• Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento
• Diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual) e da libido
• Perda ou aumento do apetite e do peso
• Insónia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial), despertar matinal precoce ou, menos frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo)
• Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.
Existem também causas e fatores de risco para desencadear uma depressão, são eles:
• Solidão
• Falta de apoio social
• Recentes experiências de vida stressantes
• História familiar de depressão
• Problemas de relacionamento ou conjugal
• Tensão financeira
• Trauma ou abuso de infância
• Uso de álcool ou drogas
• Situação de desemprego ou o subemprego
• Problemas de saúde ou de dor crónica
Compreender a causa subjacente à depressão pode ajudá-lo a superar o problema. Qualquer um pode experimentar algum tipo de depressão, por algum motivo. É uma condição e situação que afeta pessoas de todos os tipos, de todas as raças, sexos e situação socioeconómica.
Mudanças de estilo de vida saudável nem sempre são fáceis de fazer, mas eles podem ter um grande impacto sobre a depressão. Algumas mudanças que podem ser muito eficazes incluem:
• Cultivar relacionamentos de apoio
• Fazer exercícios regulares
• Regular o sono
• Alimentar-se saudavelmente para impulsionar naturalmente o humor:
• Gerir o stress
• Praticar técnicas de relaxamento
• Desafiar padrões de pensamentos negativos
• Promover a saúde
Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade, solidão, ansiedade, depressão, destruição, dependência.
Pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar.
Erich Fromm

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