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CHRIS CORNELL

PAULO SANTOS SILVA

Não será um dos nomes mais conhecidos da cena musical. As bandas de que foi vocalista, também não o serão certamente, no sentido do que é mais comercial em termos musicais. 

Apesar disso, não deixa de ser mais uma grande perda no contexto da música pop contemporânea.
Chris Cornell, nome artístico de Christopher John Boyle, foi considerado um dos fundadores do movimento Grunge, que teve o seu expoente máximo em Kurt Cobain e na sua banda, os Nirvana.
Nascido em 20 de julho de 1964, na cidade americana de Seattle, deixou-nos no passado dia 18 de maio após mais um concerto de uma das bandas de que era vocalista, provavelmente a mais conhecida delas – os Soundgarden. Segundo a Associated Press, Chris Cornell suicidou-se por enforcamento, na casa de banho do quarto de hotel onde se encontrava. 
Sendo o vocalista de bandas como os Soundgarden, os Temple of The Dog e os Audioslave, isso não foi obstáculo a que tivesse editado cinco álbuns a solo, entre os anos de 1999 e 2015. Era famoso por ter uma extensão vocal de quatro oitavas, o que corresponde a dizer que tinha uma extensão vocal que lhe permitia cantar todas as notas de um qualquer teclado. 
Em 2007 lançou o single “You Know My Name”, música que foi tema do filme 007 – Cassino Royale, tornando-se o primeiro cantor americano a gravar o tema principal de um filme da série 007. A canção vendeu 3,5 milhões de cópias digitais.
Filho de um pai farmacêutico, católico e de uma mãe contabilista, judia, a infância e a juventude de Chris Cornell foi tudo menos fácil. Depois da separação dos pais, Chris e os irmãos adotaram o nome de solteira da mãe – Cornell. Durante a adolescência, além de uma depressão severa, Chris teve acesso e usou diferentes tipos de droga até se dedicar à música. 
O primeiro instrumento que aprendeu foi o piano, mas iniciou sua carreira como baterista na banda Jones Street Band. No início dos anos 80, Cornell era membro de uma banda de covers (nome que se dá às bandas que tocam músicas de outras bandas) chamada The Shemps. Esta banda, tinha Hiro Yamamoto como baixista. Depois de Yamamoto deixar os The Shemps, a banda recrutou o guitarrista Kim Thayil. Cornell e Yamamoto continuaram em contacto e depois que os The Shemps terminaram, começaram a formar uma nova banda juntos, trazendo Thayil para se juntar a eles. Estavam, assim, lançadas as bases para o nascimento dos Soundgarden. No início da banda, Chris Cornell tocava bateria e cantava. Após a entrada de Scott Sundquist, mais tarde definitivamente substituído por Matt Cameron na bateria, Chris dedicou-se em exclusivo à parte vocal. Os Soundgraden tiveram um período de inatividade de 12 anos, após os quais se voltaram a reunir, tendo gravado temas que fizeram parteda banda sonora de filmes como Os Vingadores e Homem de Aço.
Chris Cornell era um dos herdeiros vivos do Grunge e, tal como outros, entendeu por fim à sua vida. Só ele saberá os motivos que o levaram a tomar esta decisão algumas horas depois de mais um concerto. A discussão em torno do suicídio, é e será sempre a mesma. É um ato de coragem ou um ato de covardia? Confesso que tive esta discussão por diversas vezes e nunca a mesma foi conclusiva. Se calhar nunca vai ser, visto que facilmente se encontram argumentos a favor de uma e outra teoria. Se calhar vai ser sempre uma questão de perspetiva, em tudo idêntica à teoria da garrafa – para uns, está meio cheia, para outros, está meio vazia.
Deixo-lhe, como sugestão de audição, a versão acústica do tema “Nothing Compares To U” da autoria do, também já desaparecido, Prince!

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